Homo naledi: podemos estar vendo de perto as raízes culturais humanas

Reconstrução do Homo naledi feita em 2015 após o anúncio dos primeiros achados (Créditos: Universidade Wisconsin-Madison)

Após uma sondagem minuciosa de um sistema de cavernas sul-africanas conhecidas como Rising Star, a equipe do antropólogo John Hawks, da Universidade Wisconsin-Madison, descobriu uma câmara dentro do sistema de cavernas com novos restos do parente dos humanos, Homo naledi. A descoberta foi anunciada no dia 9 de maio e teve artigo publicado na revista eLife. Anunciado pela primeira vez em 2015, naledi são surpreendentemente parecidos com o Homo sapiens.

A espécie viveu entre 226.000 a 335.000 anos atrás. Hawks e equipe encontraram os retos de três indivíduos, incluindo um crânio completo.

A hipótese é que os Homo naledi estavam escondendo seus entes mortos, sugerindo um comportamento de grande inteligência e provavelmente já com alguns traços culturais em comunidade.

“Essa descoberta acrescenta peso à hipótese de que o Homo naledi estava usando lugares escuros e escondidos para guardar seus mortos”, explica Hawks.

A câmara em que foi encontrada os espécimes foi batizada de Câmara Lesedi, cerca de 100 metros de distância da Câmara Dinaledi, onde foram encontrados os primeiros 15 indivíduos de Homo naledi. Até agora, a equipe já encontrou 130 fósseis da espécie, cujo o significado de naledi é ‘luz’ na língua de Setswana.

O primeiro anúncio, feito em 2015, revelou uma quantidade maravilhosa de ossos.

Os restos relatados esse ano do Homo naledi foram encontrados em 2013: três indivíduos — dois adultos e uma criança com pelo menos 5 anos de idade. Um dos adultos, apelidado de ‘Neo’ (ou ‘presente’ na língua Sesotho) é notavelmente completo. Foi reconstruído é até, inclusive, mais completo do que o famoso fóssil Lucy.

O crânio de Neo tem muitas partes do rosto incluindo os ossos delicados do nariz e da região interna dos olhos.

Neo: o presente para os pesquisadores (Créditos> Universidade Wisconsin-Madison)
“Alguns dos novos ossos estão adicionando detalhes para coisas que ainda não sabíamos”, explica Hawks.
“Com os novos fósseis da Câmera Lasedi, agora temos aproximadamente 2 mil espécies de Homo naledi, representado os esqueletos de pelo menos 18 indivíduos. Há mais espécimes de Homo naledi do que de qualquer outra espécie extinta ou população de hominídeos exceto os Neandertais”, diz Hawks.

O fato do Homo naledi estar escondendo seus mortos em câmaras subterrâneas acabam fazendo um paralelo com os Neandertais. Em uma câmara situada na caverna espanhola Sima de los Huesos, está evidências de que os Neandertais também escondiam seus mortos há 400 mil anos atrás.

“O que é tão provocativo sobre o Homo naledi é que estes seres tinham um cérebro com um terço do tamanho do nosso. Isso não é claramente um ser humano, mas parece ser um aspecto muito profundo do comportamento que conhecemos, um cuidado duradouro para com os indivíduos mortos. Me impressiona que possamos estar vendo as raízes mais profundas das práticas culturais humanas”, finaliza Hawks.
Pesquisadores durante o anúncio da recém descoberta (Créditos: Universidade Wisconsin-Madison)