Nada de mega estrutura alienígena: sinais de poeira ao redor de Estrela de Tabby

Ilustração para a poeira ao redor da estrela (Créditos: NASA / JPL-Caltech)

Liderados pela pesquisadora Tabetha Boyajian, uma equipe com mais de 200 pesquisadores podem estar muito próximos de resolverem todo o mistério que cerca a estrela KIC 8462852 ou Estrela de Tabby. Esta estrela em questão, apesar de ser cerca de 50% maior e 1000 graus mais quente que o nosso Sol, apresenta um comportamento bem estranho: seu brilho sofre quedas bruscas esporádicas, como se houvesse um corpo muito grande ou um conjunto de corpos desconhecidos ao seu redor.

E, agora, começam a chegar a conclusão de que pode ser apenas poeira cósmica a grande razão de todo este comportamento exótico.

“Estávamos esperando que, uma vez que finalmente pegamos um mergulho no que estava acontecendo em tempo real, fossemos capazes de analisar se toda a queda de brilho acontecia de forma igual em todos os comprimentos de luz. Caso positivo, significaria que um grande corpo opaco como um planeta, asteroides ou até mesmo uma estrutura alienígena estivesse causando a queda no brilho da estrela” explica Jason Wright, co autor do estudo.
“Em vez disso, a equipe descobriu que a estrela ficou muito mais fraca em apenas alguns comprimentos de luz do que em outros comprimentos de luz”.

A curiosidade geral era tão grande — e as especulações de que uma grande estrutura feita por alienígenas estava ao redor da estrela também eram grandes — que mais de US$ 100 mil foram doados em uma campanha na internet para financiar a pesquisa. O resultado preliminar, claro, não agradou a todos.

“A poeira é provavelmente a razão pela qual a luz da estrela parece escurecer e aumentar. Os novos dados mostram que diferentes comprimentos de luz estão sendo bloqueados em diferentes intensidades. Portanto, o que quer que esteja entre nós e a estrela não é um corpo opaco com era esperado que fosse um planeta ou uma mega estrutura alienígena”, diz Boyajian, autora principal do estudo e líder da equipe.

Um número muito grande de dados foram coletados e serviram como base bem sólida para que este resultado preliminar aparecesse. A campanha virtual financiou observações feitas no Observatório de Las Cumbres durante o período de março de 2016 a dezembro de 2017. A equipe sinaliza que há mais observações a serem feitas e que o estudo não vai parar por aqui. Há a ideia de estudar mais a fundo a origem do que está bloqueando a estrela — se são restos de planetas, poeira advinda de colisões de asteroides ou até mesmo se isso é um prelúdio de um sistema solar. A hipótese inicial era de que se tratava de um enxame de asteroides e esta hipótese ainda não está totalmente descartada.

Boyajian também deixa claro a importância desta pesquisa. Incialmente, cientistas cidadãos (que são qualquer pessoa que doa seu tempo para analisar dados científicos na internet) foram os que primeiro perceberam o comportamento incomum da estrela analisando dados do Telescópio Kepler da NASA. Este o início de produções científicas colaborativas contando com a ajuda de civis de vários países e idades.

“É emocionante. Sou tão agradecida a todas as pessoas que contribuíram para isso: os cientistas cidadãos e os astrônomos profissionais. É bastante gratificante contar com a humilde ajuda de todas estas pessoas que contribuem com nossas descobertas”.