Pesquisadores montam novo mapa topográfico de Titã

Imagem de Titã (Créditos: Cassini / NASA / JPL)

Dois novos artigos publicados na Geophysical Review Letters mostram mais sobre a dinâmica de Titã, lua de Saturno. Um mapa topográfico foi feito utilizando novos dados científicos gerados com a sonda Cassini da NASA. E incrivelmente, estes dados mostram algumas características que se assemelham ao planeta Terra.

Segundo o mapa, Titã tem montanhas com até 700 metros, locais no equatorial da lua que sugerem a existência passada de mares antigos e que a lua é mais oblata (ou lisa) do que se esperava dando, inclusive, novos indícios sobre a espessura da crosta de Titan.

O interessante do trabalho é a forma como o mapa foi feito: apenas 9% de Titã foi observado em topografia de alta resolução e cerca de 30% foi observado em baixa resolução. O restante da lua no mapa foi feito utilizando algoritmos de interpolação e softwares como uma forma de reduzir erros advindos da localização da Cassini. Ou seja, com dados e matemática todo um mapa de Titã foi feito.

“O principal ponto do trabalho foi criar um mapa para que a comunidade científica pudesse usar”, explica Paul Corlies, autor do estudo. “O mapa será importante para os pesquisadores que trabalham modelando o clima de Titã, sua forma geográfica e gravidade”.

O mapa também revelou que os três mares de Titã compartilham uma superfície equipotencial comum (ou seja, a força gravitacional da lua é igual ao gradiente potencial ou vetor que indica sentido e direção da superfície dos mares; esta característica é comum aos geoides), sugerindo que eles formam um nível de mar assim como os oceanos terrestres também fazem. Este comportamento pode estar ligado ao fluxo entre os mares ou por conta da presença de canais que permitem que uma quantidade muito grande de líquido possa passar.

Esta descoberta puxa uma hipótese formulada antes sobre Titã: seus lagos se comunicam entre si provocando o fluxo de líquido. Isso foi pensado quando se descobriu que os lagos existem a centenas de metros do nível do mar. Há também indícios de que as bordas dos lagos de Titã estão crescendo.

O trabalho será refinado com novas técnicas, mas o que foi publicado nos dois artigos já foi muito impressionante. As elevações das superfícies dos mares de Titã foram medidas com a incrível precisão de 40 centímetros. Os artigos Titan’s Topography and Shape at the End of the Cassini Mission e Topographic Constraints on the Evolution and Connectivity of Titan’s Lacustrine Basins já estão disponíveis online.