The Founder (Fome de Poder)

A trajetória de uma corporação de sucesso vista pelos olhos de um empreendedor com fome de poder

A empresa McDonald’s é a maior cadeia com restaurantes fast food no mundo com 35 mil pontos de venda, atualmente. Ela surgiu da ideia de dois irmãos, Dick e Mac McDonald, de inovar o sistema de atendimento. Assim, abriram sua primeira lanchonete em 1940 com hambúrgueres a US$0,15 em San Bernardino e criaram o Sistema de Serviço Rápido, que prometia entregar um pedido em um prazo de 30 segundos ao invés de 30 minutos. Esse início da empresa e toda a sua trajetória até os dias hodiernos são retratados no filme “The Founder” (Fome de Poder, lançado no Brasil).

Lançado em 20 de janeiro de 2017 nos Estados Unidos, o drama conta toda a história da corporação McDonald’s vista pelos olhos de Ray Kroc (Michael Keaton), o fundador desta. É neste personagem que se baseia o enredo do início ao fim, pois o filme retrata a vida dele desde quando era um simples vendedor até se tornar um dos homens mais poderosos do mundo. Ray já havia tentado a sorte em muitos negócios como vendedor de copo de papel, pianista, membro de uma banda e até DJ em uma rádio. Porém, no início do filme, ele já é um vendedor ambulante de multimixers para milk-shakes.

Foi com a venda de multimixers que Ray conheceu os irmãos McDonald, que encomendaram 8 deles para sua lanchonete drive-in inovadora. Ray se encantou com o sistema de serviço revolucionário e com o design moderno e diferente dos “arcos dourados” e viu uma oportunidade de ampliar os horizontes com novas filiais. O personagem de Michael Keaton se mostra um homem ambicioso e com muita determinação, capaz de atingir todos os seus objetivos. Ele persiste e não mede esforços pra conseguir o que quer. Desta forma, aos 52 anos de idade, segundo ele “velho demais”, ele consegue tomar pouco a pouco a empresa dos irmãos, construir um império de fast-food e se tornar o fundador da McDonald’s Corporation.

“Fome de Poder” tem seu primeiro plano bem fechado no rosto de Ray Kroc, que possui todo o foco, deixando todo o fundo da imagem fora de interação. Ray olha para a câmera durante toda a sua primeira fala, o que nos prende total a atenção por parecer que ele se dirige diretamente a nós, espectadores. Ele lança o seu argumento para vender seus multimixers e logo após, vemos um plano bem mais aberto onde é possível ver o local em que ele se encontra e a pessoa que interage com ele. A espectatorialidade clássica é visível nessa abertura, pois além de termos a visão clara e focada da ação que se passa, a montagem dessa forma nos permite seguir o curso natural da atenção que devemos dar a cada cena.

A obra dirigida por John Lee Hancock é de 2017 e retrata primordialmente os anos de 1950. Por isso, vemos frequentemente no filme cenas com imagens quentes, saturadas e em sépia, remetendo-se à época. O plano fechado na abertura do filme se repete nas cenas finais, mostrando o encerramento de uma trajetória e um desfecho da trama que Ray Kroc possivelmente teria contado.

O filme, baseado em uma história real, tem um final conturbado para os irmãos Dick e Mac. Entretanto, o cineasta buscou retratar o tema de forma positiva, exaltando o protagonista e glorificando suas ações, por mais gananciosas que elas pareçam ter sido.

O drama biográfico poderia ter sido retratado de diversas outras maneiras e pontos de vista. Ao assistir o filme, percebe-se claramente que se este fosse criado a partir de uma perspectiva dos irmãos McDonald, ele teria tido um enredo e um final totalmente diferente. A forma em que o filme foi criado mostra a sagacidade do diretor em pensar o melhor roteiro para fazer o filme render e passar uma mensagem positiva sobre persistência. Ao pensarmos em todos os possíveis personagens para usarmos de base para a história principal, realmente percebemos que o melhor personagem para nos informarmos sobre a percurso do McDonald’s é o de Ray Kroc.

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