Apocalypto (2006)

Crítica ao filme de Mel Gibson

Pode gerar imensa controvérsia, mas Mel Gibson (enquanto realizador), não consegue deixar ninguém indiferente. Braveheart é o seu filme mais “acessível”, mas até esse possui um característica comum a todos os seus trabalhos: a violência.

Violência que levou a demasiadas acusações, especialmente após a estreia de Passion of the Christ (filme que retrata as últimas horas da vida de Jesus Cristo), quase todas elas exageradas e sem fundamento (na minha opinião).

Acho que Mel Gibson não tem medo de mostrar a podridão da natureza humana, mas também nunca esconde que existe sempre esperança. The Passion of the Christ (e eu admito que não é fácil de ver), é pródigo nisso. E quem só viu violência, deixou escapar nas entrelinhas mensagens poderosas de esperança e amor de um homem (também ele controverso), que teve um final trágico ás mãos daqueles cegos por fundamentalismos desprezáveis.

Em Apocalypto, Mel Gibson utilza novamente a violência e mostra a parte mais cruel e hedionda das pessoas. Mas lá está, no fundo também realça a capacidade de esperança e força que outras têm, no meio de tanta morte e sofrimento.

O filme retrata os dias finais da outrora grande civilização Maia (muitos a conhecerão devido ao tema, tão em voga, “fim do mundo”, uma vez que muita gente quer fazer parecer que os Maias conceberam uma profecia que o mundo terminará em Dezembro deste ano).

A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself from within.

Foi uma época terrível, onde as pequenas aldeias Maias eram subjugadas pelas grandes cidades e, os seus habitantes, eram levados para um destino nada agradável. Em Apocalypto seguimos alguns desses infelizes.

Eu não sou perito em história, mas civilizações antigas são um dos meus temas preferidos. Muito se tem dito acerca dos erros históricos deste filme. A maioria diz que os Maias não praticavam sacrifícios humanos em grande escala (como se vê no filme), e que isso sim, era característico dos Aztecas.

Mas os Aztecas não partilhavam uma cultura comum com os Maias? E a época retratada aqui coincide com uma altura de decadência e divisão da sociedade Maia. Não estariam eles desesperados a esse ponto?

De qualquer maneira, e como a maioria não irá reparar no aspeto histórico da coisa, mais vale referir o seu valor artístico. E nisso, acho que a palavra excelente lhe assenta que nem uma luva.

Apocalypo pode ser divido em duas grandes partes:

A primeira, que culmina no eclipse solar, é fabulosa.

Todo o desenvolvimento dado ás personagens,a tensão que se vai acumulando, a maneira como Mel Gibson filma (quase num estilo documentário que nos leva de uma forma incrivelmente imersiva para um tempo antigo); são 96 minutos hipnóticos, soberbos, que terminam numa entrada, nada mais nada menos que gloriosa, em Tikal.

I am Jaguar Paw, son of Flint Sky. My Father hunted this forest before me. My name is Jaguar Paw. I am a hunter. This is my forest. And my sons will hunt it with their sons after I am gone.

A segunda não é tão boa, mas mesmo assim, muito interessante. Nela acompanhamos a fuga de Jaguar Paw (personagem principal) e vá, a sua transformação em “John Rambo”, uma vez que vai eliminando os seus perseguidores um a um.

A utilização da linguagem Iucateque (conhecida comummente como maya), e o leque de atores escolhidos (todos eles desconhecidos), tornam tudo ainda mais realista. Como se isso não fosse suficiente, temos uma caraterização brutal, cenários fantásticos (Tikal está mesmo impressionante), realização sem grandes tiques e banda sonora excelente.

Existem alguns pormenores menos bons (especialmente na segunda parte), mas tiram pouco brilho ao produto final.

É um filme extremamente realista que, compreensivelmente (mas infelizmente), não será apreciado por toda a gente. Mas mais que isso, uma obra corajosa e que se destaca fortemente no meio de tanto lixo vindo de Hollywood.

Apocalypto é uma pequena obra-prima da década passada. E digam o que disserem, Mel Gibson enquanto realizador, é genial.

I saw a hole in the Man, deep like a hunger he will never fill. It is what makes him sad and what makes him want. He will go on taking and taking, until one day the World will say, ‘I am no more and I have nothing left to give.
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