As Aventuras de Tintin (The Adventures of Tintin, 2011)


Não li os quadrinhos do Tintin. Só conheci o personagem criado por Hergé a partir do desenho animado que a TV Cultura exibiu nos anos 90. A história do um jovem repórter que tinha o emprego mais emocionante do mundo fez a minha cabeça por um bom tempo. Que garoto não gostaria de viajar pelo mundo em busca de histórias fantásticas, acompanhado de seu fiel cachorro e de seu amigo cachaceiro?

Fiquei muito feliz quando soube que Spielberg comandaria a adaptação cinematográfica, pois quem poderia retratar melhor um personagem aventureiro do que o criador do Indiana Jones? Não me decepcionei.

O cineasta conseguiu transportar para a telona (e até para fora dela, já que o 3D é muito bem aproveitado) toda a atmosfera um tanto quanto nostálgica que envolve o universo imaginado por Hergé, cheio de tesouros escondidos, heróis elegantes, bandidos ordinários, etc.

É um filme sempre bem humorado, com piadas levíssimas presentes tanto nos diálogos rápidos, como no humor físico. Se bem que utilizar um arroto etílico como combustível talvez não seja uma coisa tão leve assim.

Diferentemente do desenho animado da TV (e acredito que também da HQ) o filme não faz muitas pausas para reflexão e, embora consiga contar a história, saí emendando cenas de ação, uma mais espetacular que a outra. Fico só imaginando como seria um game com aqueles personagens e cenários…

Quanto às questões gráficas, não tem como não ficar embasbacado com tantos detalhes. Criei certo preconceito com a performance capture depois de O Expresso Polar (2004), pois na época os personagens pareciam muito artificiais já que ficavam a cara dos atores, mas só que parecendo de borracha, enfim era um troço muito esquisito. Com Tintin a técnica chega ao seu auge, pois torna o filme visualmente perfeito (acho que todo mundo reparou nos detalhes dos cabelos né?).

O que mais gostei em As aventuras de Tintin foi o ar de inocência que paira sobre toda a produção. Os tiros nunca acertam o nosso herói e mesmo os inimigos, quando são atingidos, não ficam sujos de sangue; é possível pilotar um avião apenas lendo o manual e mesmo que você esteja perdido em alto mar (aliás, a referência a Tubarão (1975) é ótima) não há por que se desesperar, pois sempre haverá uma maneira de escapar. Todas essas “quebras” de verossimilhança nos remetem à infância, aquela época em que ninguém jamais parava para se questionar “espera aí, isso é impossível!”, pois tudo aquilo fazia parte da imaginação, um lugar dentro de nós que transbordava liberdade. Graças a Spielberg agora podemos visitar esse lugar.

Nota: 4/5


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