Borgman (2013)

Quando um padre termina a comunhão, guarda a batina, pega uma doze e vai caçar um mendigo no meio da floresta você já percebe que não está diante de um filme lá muito normal. Quando esse mendigo sai de casa em casa pedindo para tomar banho, é espancado por um pai de família e, ajudado pela esposa do cara, passa a frequentar o lugar escondido, você percebe que além de esquisito esse filme pode ser bem perturbador.

Num estilo que mistura Funny Games e, sei lá, filmes de invasão alienígena (!?), o longa holandês estabelece um clima tensão absurdo, com direito a humor negro, que vai gradualmente sendo construído através de elementos que não temos a mínima ideia se são reais ou se são só piração de algum personagem.

Seguindo uma linha meio David Lynch de esquisitices, em que todos os personagens parecem se comportar de forma imprevisível (o que torna o filme interessantíssimo já que em nenhum momento sabemos para onde está indo), o cineasta Alex Van Warmerdam aparentemente está interessado em explorar o nascimento do mal, como um pesadelo que faz desmoronar a fronteira entre imaginação e realidade. Só que não com fantasminhas ou vultos esquisitos, aí é que está outra coisa legal do filme, pois tudo parece ser verdade, mas são as atitudes dos personagens que nos fazem pensar o contrário. E para o diretor, todo este mal que nasce, cresce e só vai aumentando poderia estar em qualquer lugar, tanto enterrado no meio de uma floresta, como numa casa linda de uma família rica.

O filme é esquisito, mas não no sentido bizarro de Taxidermia e nem na profusão de signos e leituras como em Upstream Color, pois a ideia aqui é “apenas” perturbar através das dúvidas e do clima de suspense. Chega um momento em “Borgman”, e nisso já se passou meio filme, que você percebe que apenas duas coisas serão possíveis a partir dali:

  1. o diretor tentará explicar o mistério e cagará com tudo ou;
  2. simplesmente não haverá explicações e você ficará com cara de bunda no final.

Ah, se mais filmes tivessem essa coragem de não satisfazer as expectativas do público…

Nota: 4/5


Originally published at cinemaporescrito.blogspot.com.br.

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