Personal Shopper (2016)

Após a excelente parceria em Acima das Nuvens, o cineasta francês Olivier Assayas e a triz Kristen Stewart se reuniram novamente para este trabalho que é uma mistura curiosa de terror, suspense e drama.

Ao acompanhar a história da garota que tem como profissão comprar roupas para uma celebridade que não tem tempo para fazer coisas de gente normal, fiquei pensando por que caralhos o Assayas foi meter fantasmas no meio, já que todo o drama da personagem, que praticamente não possui vida própria e vive a dos outros, nos bastidores, numa cabine de prova, já me parecia suficiente. Só depois é que me dei conta de que o elemento do horror era fundamental para estabelecer a condição psicológica e também um rima visual com a questão do vazio enfrentado pela personagem, cuja personalidade é marcada pela saudade do irmão morto e a necessidade de se tornar outra pessoa provando as roupas da celebridade.

Embora supostamente ela seja uma médium e ao mesmo tempo seja um pouco cética (uma contradição fundamental para entender a personagem), ela precisa acreditar que existe uma realidade em que é possível se tornar outra pessoa. Ela precisar acreditar que o irmão ainda está ao seu redor, caso contrário tudo seria escuridão e nada teria significado.

Já faz um bom tempo que Kristen Stewart provou ser uma excelente atriz e aqui ela reforça mais uma vez essa constatação, levando nas costas um filme que está longe de ser fácil.

Assayas é do tipo que gosta de frustrar expectativas (a cena mais tensa do filme não tem falas e se resume a uma troca de mensagens no celular, meio que numa referência ao cinema mudo) e apresentar mais perguntas do que respostas, em Personal Shopper ele ameaça quebrar esses preceitos esbarrando em algumas obviedades, mas felizmente toma novamente o rumo das esquisitices e larga o espectador ali no meio, se questionando sobre o que acabou de assistir.

Nota: 3,5/5