Thelma & Louise (1991)

O longa dirigido por Ridley Scott no início dos anos 1990 é bastante reconhecido por causa da cena final que se tornou clássica, com o carro (um Thunderbird 1966) caindo no Grand Canyon. Por se tratar de um dos melhores desfechos que já vimos no cinema, chega a ser compreensível que justamente um spoiler acabe se popularizando desta forma. O que talvez não se fale tanto, é que o filme traz uma reflexão interessante a respeito da violência contra as mulheres.

Mais de 20 anos após o seu lançamento, Thelma & Louise permanece relevante e incomodamente atual. Neste ano em que tanto se discutiu os direitos das mulheres, o filme parece se encaixar perfeitamente nos debates recentes, uma vez que o gatilho que faz a trama ganhar contornos mais dramáticos é justamente uma tentativa de estupro. Mais do que isso, a consciência que as duas personagens (Geena Davis e Susan Sarandon)têm de que a opinião pública absolveria o estuprador e as acusaria de tê-lo provocado é que faz com elas iniciem a fuga.

O filme aponta para uma mudança de mentalidade a respeito da mulher e sua posição na sociedade a partir do momento em que percebemos que a fuga aos poucos vai se diluindo e passa então a representar simplesmente um novo caminho. Elas já não fogem, apenas seguem em frente. As personagens não ignoram o passado, que volta e meio incomoda e conduz algumas decisões, ele ainda machuca, mas agora elas perceberam as possibilidades de um mundo muito maior do que aquele que elas conseguiam enxergar quando enfrentavam seu cotidiano degradante.

Então o caminho para a felicidade é virar bandido e sair por aí cometendo um monte de crimes?

Para Bonnie and Clyde talvez sim, mas creio que para Thelma & Louise não. Os crimes cometidos parecem funcionar como a representação da quebra de um paradigma, de uma forma de pensamento, em que a mulher finalmente se liberta das amarras (leis) sociais e pode enfim ser dona de seu próprio nariz (livre para transar com quiser, livre para ir aonde bem entender, etc e lidar com as consequências disso tudo, pois o seu mundo interior mudou, mas o exterior continua atolado em podridão e atraso), enfim, é muito mais do que a violência pela violência.

A própria cena final faz parte dessa “nova” forma de pensar e quem sabe de enxergar a representação da feminilidade. Elas não se submeteram àquilo que esperavam delas, não aceitaram aquele papel, não deixaram que o seu caminho fosse traçado por outrem. E o mais curioso é que não o fizeram necessariamente por medo, pois como eu disse anteriormente, elas já não estavam mais em fuga. Elas simplesmente tinham que seguir adiante e sabiam que essa era coisa certa a fazer, por isso estavam sorrindo.

Nota: 4/5