Mad Max — O Review de alguém que já assistiu várias vezes no cinema!

Estava com saudades de ver um filme tão, tão bom!


Desde que foi anunciado que teríamos um quarto filme do Mad Max, eu fiquei empolgado. E quando fiquei sabendo que George Miller, o diretor dos filmes originais e criador da trilogia original voltaria para continuar contando a história do melhor mundo pós apocalíptico do cinema, fiquei mais empolgado ainda.

Daí descobri que Happy Feet foi dirigido por ele e pensei: “Putz, esqueceu de como se faz um filme bom”.

Mas eu não podia estar mais enganado: tanto em relação a minha opinião sobre o diretor, quanto em relação às minhas expectativas sobre o filme…

É impossível ter qualquer idéia prévia sobre o longa. Mesmo que os trailers mostrem o quão lindo é esse filme, e o quão empolgantes são as suas cenas de ação, Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road) utiliza interpretações extraordinárias, movimentos de câmera inspirados e efeitos práticos que devem ter deixado Christopher Nolan com inveja, pra elevar os níveis dos filmes de ação.

De tanto em tanto tempo, os gêneros do cinema passam por uma renovação — ou revolução diriam os mais empolgados. E a última vez que vimos isso acontecer com os filmes de ação, foi há aproximadamente quinze anos atrás, em Matrix. A partir da história de Neo, os protagonistas do gênero passaram a ser sobre-humanos. Mesmo que fosse um filme com a intenção de parecer o mais real possível, como os do Jason Bourne ou o novo 007. E essa mudança foi tão profunda, que os astros das décadas de 80 e 90 ficaram muito defasados e sumiram, voltando a ter relevância apenas após Os Mercenários.

E a impressão que tive com esse novo Mad Max, é que essa renovação aconteceu novamente, e quem viu Vingadores: Era de Ultron e o Demolidor da Netflix, vai entender o que estou falando.

A comparação com duas sensações do momento

O segundo filme do grupo de heróis da Marvel, está fazendo muito sucesso de crítica e de público. É um filme bacana, e está merecendo toda a montanha de dinheiro que tem feito. O que, talvez, seja um defeito do filme é algo normal em longas sobre super-heróis: o abuso no uso da computação gráfica.

Os efeitos são super bem feitos e bastante realistas, o problema é que eles têm um visual característico das cenas feitas no computador. Diferente da ação crua do seriado do Demolidor, que é uma parceria entre aMarvel, a Netflix, e um orçamento bem apertado. Essa união foi linda, e a coragem, a criatividade e as restrições orçamentárias criaram uma estética mais crua para as cenas de ação, fazendo com que elas não fossem tão bonitas no visual, quanto eram no conteúdo: tenso, pesado e deixando bem claro que cada soco dado ou recebido, fazia diferença.

Em Mad Max, o diretor George Miller consegui unir as duas coisas. Como ele mesmo fala em umfeaturette publicado pela Warner, ele quis usar a evolução na tecnologia cinematográfica, pra fazer o máximo possível de forma prática, ou seja, sem o uso dos computadores. Quando você vê um caminhão tombando, girando na estrada; ou quando vê pessoas se balançando em mastros presos em carros… Bem, elas estavam lá.

Isso confere ao filme um realismo que não se vê há muito tempo. Talvez desde que Nolan fez um caminhão tombar, durante Batman: O Cavaleiro das Trevas. E o filme todo é assim.

Um roteiro digno de Silvester Stallone

Claro, o subtítulo acima é uma brincadeira com o tema favorito do Sly. Apesar de ser um filme de perseguição, Mad Max trata de um tema: redenção. Tanto Max (Tom Hardy), quanto Furiosa (Charlize Theron) estão tentando se redimir do passado, e encontram nessa fuga, a oportunidade. E mesmo que até certo ponto do filme o protagonista não perceba que essa é a sua chance de compensar os erros que cometeu na vida, tudo vai sendo muito bem desenvolvido para que, ao tomar a decisão que cria uma reviravolta na história, o espectador acredite em suas motivações.

E essa contextualização ao longo da história, que se dá através das ações dos personagens e das consequências dessas ações, faz com que tenhamos mais uma linda característica que não vemos com muita frequência nos filmes atuais: a sutileza no desenvolvimento de motivações e do universo pós apocalíptico do longa.

Não existem diálogos expositivos, e o próprio protagonista fala pouquíssimo durante as duas horas em que o acompanhamos. Mas de forma indireta os personagens explicam que todos os membros daquela gangue de homens pintados de branco, sofre de câncer devido a exposição pela radiação, e que por isso a expectativa de vida não é muito longa.

Essa vida curta os estimula a viver de forma violenta, como guerreiros que buscam uma morte em batalha, para que possam alcançar o Valhalla e ter, em outro plano, a boa vida que não existe mais em uma terra devastada pela guerra nuclear.

E isso, inclusive, explica uma das coisas mais bacanas e que parece muito sem sentido: Um caminhão com um maluco tocando guitarra durante a perseguição. Ninguém precisa parar e falar o que é: os acontecimentos fazem com que tudo seja compreensível.

O 3D vale a pena?

Pela primeira vez desde que começaram a reviver franquias dos anos 80, valeu a pena. Ao contrário de Indiana Jones e outros filmes, Mad Max foi uma evolução do que se fez antes, e não apenas umrevival.

Tanto que, as novas tecnologias foram muito bem empregadas. E nem estou falando do 3D que — respondendo a pergunta — não vale tanto a pena. Ele não compromete e, incrivelmente, não faz com que o filme perca as suas cores lindas (a fotografia é um espetáculo, assim como a direção de arte). O maior benefício dos novos tempos é mesmo, a possibilidade de ver em Imax.

Sério, se você pode assistir em um, o gasto extra vai valer muito a pena. A montagem e os movimentos de câmera, além da velocidade, fazem com que ter uma tela grande traga uma imersão grande o suficiente pra te dar vertigem. Portanto, não assista logo depois de comer.

Mad Max: Estrada da Fúria é expectativa superada, a renovação dos filmes de ação, e o dinheiro mais bem gasto em cinema que você terá — até o lançamento de Star Wars em dezembro. Com certeza, o único que pode tirar do filme de George Miller, o título de filme mais lindo e empolgante de 2015. Recomendo.

Esse post foi publicado originalmente no Comunicadores.info. Acesse para ver mais!