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Liderança e CISV: Por um mundo mais justo e pacífico através da educação

Alguns consideram liderança um “dom”, uma qualidade que vem de berço. Porém, ao longo da minha trajetória, dentro do CISV e fora dele, pude constatar que um líder pode ser formado, ou melhor, desenvolvido, desde que tenha a atitude para buscar o conhecimento necessário e desenvolva algumas habilidades básicas e outras de acordo com o seu propósito.

Um líder é muito mais do que alguém que tem autoridade, dá ordens e é obedecido sem questionamentos.

Esse conceito do líder que manda e liderados obedecem está errado? Não. Digamos que está desatualizado.

Se pensarmos em líderes históricos, veremos esse último perfil bem presente. Um exemplo são os reis que simplesmente nasciam em determinada dinastia e que não precisavam agradar ninguém para ser o líder (às vezes tratados como um deus ainda crianças).

Em descrições mais simples, como a do dicionário (Michaelis), um “líder” é a “Pessoa com poder de decidir, de se fazer obedecer”; é a “Pessoa com capacidade de influenciar nas ideias e ações de outras pessoas: Sempre foi o líder de sua turma na faculdade”.

Porém, um verdadeiro líder, independente da época, costuma ser alguém que transmite confiança, inspira e acolhe seus liderados. Busca o tempo todo o desenvolvimento deles, possibilitando uma melhora da performance individual, reforçando seus talentos e minimizando o impacto de suas franquezas (sempre as aproveitando como forma de crescimento e aprendizado). Coletivamente, inspira e direciona a equipe, ou melhor, o time, pois tem clareza de que não se faz grandes feitos sozinho.

Em um mundo muito mais caótico do que 20 anos atrás, com novas velocidades, em que “em 20 minutos tudo pode mudar”, quando o modelo tradicional de atuação do CISV, qual seja, programas educacionais, encontra-se parado, como promover Liderança? Penso que temos a oportunidade de voltar a essência da organização e achar uma saída.

Como ser líder em um planeta em que se cria, a cada dois dias, a mesma quantidade de informação existente desde o início da civilização até 2003 (5 exabytes (um quintilhão de bytes)), segundo CEO da Google Eric Schimidt na Techonomy conference em 2010?

Difícil não? Como definir prioridades e ações? Como serão nossos programas, que são utilizados desde a fundação? Nossas crianças e jovens são os mesmos?

São perguntas de difícil resposta, mas voltemos ao nosso propósito: “O CISV educa e inspira ações para um mundo mais justo e pacífico” para ver como podemos responder melhor essas perguntas.

A palavra “programa” aparece em que momento do propósito do CISV?

Os programas são uma forma de atingir a nossa finalidade, mas não única. E agora que eles não podem acontecer? Como vamos atingir o nosso objetivo? Nosso propósito?

AÇÃO. Essa palavra sim existe em nosso propósito. Quando tratamos de liderança no CISV buscamos desenvolver habilidades, atitudes e adquirir conhecimentos para que, em conjunto com nossa individualidade e complexidade, promovamos ações. Ações que transformem o mundo em que vivemos em mais justo e pacífico, consequentemente, mais plural e que aceite as individualidades e complexidades.

Programas são bons? Sim. Promovem a formação de líderes? Sim. Mas não definem e não são o CISV.

A forma como educamos, de forma experiencial, isso sim é o CISV. Promovemos experiências. Experiências de educação. Somos todos educadores! Melhor: atualmente somos Designers Instrucionais (Learning Designers). Saímos do trivial e promovemos experiências para o desenvolvimento de atitudes, habilidades e conhecimentos com o objetivo de termos um mundo mais justo e pacífico.

Nesse sentido, o CISV é extremamente vanguardista qualificando pessoas em habilidades e inspirando atitudes que a escola tradicional, de forma geral, não consegue oferecer, mas que o mundo cada vez mais precisa.

A injustiça está presente a todo momento ao seu redor. Peço que façam um exercício e vejam aonde há injustiça próxima de vocês. Facilmente podemos constatar indicadores da injustiça em notícias nos canais de comunicação ou simplesmente indo à padaria. Em escala global, isso também se reflete, principalmente, mas não somente, como efeitos da desigualdade social.

“Os 2.153 bilionários do mundo têm mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas — ou cerca de 60% da população mundial.” É o que revelou o relatório da Oxfam, “Tempo de Cuidar — O trabalho de cuidado não remunerado e mal pago e a crise global da desigualdade”, publicado em 20/01/2020.

Sobre violência (mundo não pacífico), podemos dar exemplos claros e vivenciados por todos nós: violência urbana, violência doméstica, principalmente contra a mulher, população negra, LGBTQI+ e outras minorias. Como exemplo de conflito mais amplo em termos de nação, podemos citar os recentes exemplos de Myanmar e da Síria.

Nesse sentido, temos que pensar em um CISV que forme lideranças e atue localmente, mas que pense em consequências globais, uma vez que os efeitos de problemas mundiais são reflexos locais, regionais, nacionais, etc e a grande vantagem do CISV é, de alguma forma, diminuir essas distancias a partir da possibilidade de conexão através de valores e princípios comuns (CISVIANOS) com pessoas do mundo todo.

Podemos ser uma potência de mudanças positivas, agindo localmente, respeitando nossas diferencias, mas com grande consequência global.

Ainda sobre ser uma (um) líder, podemos dizer que é uma pessoa que transmite confiança, inspira e acolhe seus liderados (recomendo assistir o vídeo de Simon Sinek chamado “why leaders eat last” e no livro de nome semelhante (Leaders Eat Last). Busca o tempo todo o desenvolvimento deles, possibilitando uma melhora da performance individual, reforçando seus talentos e minimizando o impacto de suas franquezas (sempre as aproveitando como forma de crescimento). Coletivamente, inspira e direciona a equipe, ou melhor, o time, pois tem clareza de que não se faz grandes feitos sozinha e, por fim, cuida deles.

Steve Jobs fez uma analogia bem interessante ao comparar um líder com um maestro em uma orquestra, em que ele, que se colocava nesse lugar, entendia que o maestro não é o melhor músico de cada instrumento, porém sabe reconhecer quem é, sabe onde cada um pode chegar e as suas limitações, enxergando toda a obra e conduzindo para a realização do espetáculo.

Continuando sobre líderes no CISV, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs, os profissionais do futuro terão que ter as seguintes competências (habilidades) até 2025:

1. Pensamento analítico e inovação

2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizado

3. Resolução de problemas

4. Pensamento crítico

5. Criatividade

6. Liderança

7. Uso, monitoramento e controle de tecnologias

8. Programação

9. Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade

10. Raciocínio lógico

11. Inteligência emocional

12. Experiência do usuário

13. Ser orientado a servir o cliente (foco no cliente)

14. Análise e avaliação de sistemas

15. Persuasão e negociação

De todas as citadas, acho que não se desenvolve no CISV, diretamente, a 7, a 8, a 12 e a 13 (se bem que se considerar as crianças e pais usuários e clientes já está valendo). As demais todas podemos observar em nossa forma de educar.

Então falar em liderança no CISV é falar de liderança no mundo. Falar em líder no CISV é falar de educador. O mundo precisa de líderes qualificados, que possam ensinar e aprender a partir das experiências que vivam, seja individualmente e coletivamente, capazes de buscar a clareza em seus objetivos expandido a sua forma de atuação e influência. No caso do CISV, a liderança deve continuar a ser desenvolvida nos programas (uma forma de experiência), claro, mas nunca esquecendo o verdadeiro propósito, que é promover um mundo mais justo e pacífico aonde quer que estejam.

Referências:

BIG ED — BIG EDUCATION GUIDE for ACTIVE GLOBAL CITIZENSHIP. CISV international, Inglaterra, 2019.

FUTURE OF JOBS REPORT 2020. Word Economic Forum, Suiça, 2020 (WEF_Future_of_Jobs_2020.pdf (weforum.org))

SUTTO, Giovana. As 15 habilidades que estarão em alta no mercado de trabalho até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial. InfoMoney, São Paulo, 30 de janeiro de 2021. Disponível em: As 15 habilidades que estarão em alta no mercado de trabalho até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial (infomoney.com.br). Acesso em: 26 de fevereiro de 2021;

SINEK, SIMON — LEADERS EAT LAST, 2014. Portfolio Penguin

SINEK, SIMON — Why Leaders Eat Last. 2014. (45:50) Disponível em: Simon Sinek: Why Leaders Eat Last — YouTube. Acesso em: 7 de março de 2021;

OXFAM Bilionários do mundo têm mais riqueza do que 60% da população mundial | Oxfam Brasil

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