Reescrever Feijão

Exercício com binômios fantásticos, para o módulo de crônicas do CLIPE 2014.


Reescrever feijão é importante. Pode não parecer, ou pode parecer bobagem. Maluquice, você diria. Mas não: Você não sabe o valor de reescrever feijão.

Essa semana um amigo me disse que pesquisas do instituto de linguísticas avançadas do MIT apontam que reescrever palavras possui o mesmo efeito, no cérebro, de repetir palavras em voz alta. Para mim foram duas novidades: Eu nunca soube sequer que esses momentos onde as palavras perdem o sentido eram bons para alguma coisa, mas parece que eles, entre aspas do meu amigo, massageiam o cérebro. E, a descoberta em questão, a lógica se reproduz na escrita, campo em que parece ser ainda mais útil para redatores, roteiristas e até nós, comentaristas de matérias do G1.

E o feijão? Enfia no seu —não. O feijão já vem de uma pesquisa da Unicamp. Outro amigo me falou, faz um tempo. Que beleza ter amigos informados. Porque gente desinformada, já sabe, né. Mas deixa esse papo pra lá. Enfim, diz ele, e a pesquisa da Unicamp, que “feijão” é uma das palavras mais singulares e originais da língua portuguesa, por sua composição etimológica, que é claro que eu não vou me lembrar em detalhes. Por isso, a palavra estimula regiões do cérebro relacionadas à criatividade! Afinal, não existe “feijo”, mas existe o feijão. Que loucura.

Fazendo a matemática básica, soma aqui os dois amigos, noves fora, eu, que não sou da Unicamp e muito menos do MIT, concluí que reescrever feijão é uma massagem dupla no cérebro e, por isso, um dos melhores exercícios criativos para escritores. Melhor até que binômio fantástico!

E aí, estamos esperando o quê para praticar?

Feijão, feijão, feijão, feijão, feijão, feijão, feijão.