Portrait — Como eu me via aos 16 anos

Sou filha, mulher, noiva. Espera! Não sou noiva, namorada e nem mulher. SOU UMA JOVEM DE 16 ANOS que não tem uma calça de R$300. Não quero uma calça da GANG, só quero que meus pés caibam num par de sapatos número 39.

Quero ser modelo de prova, me formar, ser publicitária, historiadora ou estudar LETRAS. Isso mesmo, estudar Letras, diferentemente de ser professora, isso nunca quis. Penso que lecionar é não sair da escola e tudo o que eu quero é ganhar o mundo, ganhar prêmios e ter o meu próprio dinheiro. Já nasci independente. Quando pequena, orgulhosa, lavava minha própria calcinha no banho.

Antes de iniciar a faculdade quis ser aeromoça. Agora, chamam de comissária de bordo. Sou alta, magra (MAGRELA), quero viajar o mundo. Why not?

De avião não tenho medo. Nunca andei, mas não tenho medo.

Esse ano virei evangélica. Gosto muito das músicas, do pessoal. Antigamente detestava louvores, só ia à missa. Vai entender?! Hoje em dia vou à igreja, mas quando fizer 18 anos quero ir em todas — T-O-D-A-S — as festas que ouço anunciar na rádio. Será que crente pode? Não sei! Só sei que eu quero. Viajo quando ouço “Classificação 18 anos”.

Gosto de estudar. Escrevo sobre tudo, faço contas mais rápido que o professor, mas não me lembre de polinômios. Isso é o meu fim. Beijei faz pouco tempo, mas pros colegas beijei, ó, há séculos. Vai que eles pensem que eu beijo mal? Superei, sabe?

Tenho alguns amores platônicos, uso sutiã de enchimento e fico ali lendo horóscopo para ver se tomo coragem de me declarar. Não tenho muito tempo ao longo do dia , porque sou monitora em um curso de informática. Foi lá, aliás, o lugar onde dei meu primeiro beijinho. Mas isso aí já é uma outra história. Te conto em 2017, daqui a doze anos. Beijo!