Mas afinal: o que é agricultura orgânica?

Sítio Solstício, Teresópolis (RJ)

A gente tem ouvido bastante falar sobre orgânicos, não é mesmo? Seja por serem melhores para a nossa saúde, devido ao seu preço — mais caro que os alimentos convencionais — ou simplesmente porque estão na moda.

Mas você já parou para pensar — antes de qualquer julgamento — o que é a agricultura orgânica? Quais são as práticas que envolvem este tipo de agricultura que tem causado tanto burburinho?

O primeiro passo para entender toda a atenção dada aos “orgânicos” é entender como eles são produzidos. E quando você entender isso, vai facilmente compreender a sua importância.

A agricultura orgânica é um sistema de manejo sustentável de produção de alimentos comprometido com a preservação ambiental, biodiversidade e qualidade da vida humana. Assim, não é permitido o uso de fertilizantes sintéticos solúveis e agrotóxicos, pois estas substâncias colocam em risco não só a nossa saúde, mas também a do meio ambiente.

Então, para conseguirem desenvolver a produção, os agricultores utilizam tecnologias apropriadas a cada contexto, que envolve: solo, topografia, clima, água, radiações e biodiversidade local.

Sítio A Boa Terra, São Paulo

E quais são os processos utilizados?

  1. Rotação de culturas: cada cultivo precisa de diferentes nutrientes do solo para se desenvolver, por isso é necessário que haja uma rotação entre elas para que o solo não fique esgotado. O ideal é alternar entre culturas mais exigentes em nutrientes com outras menos exigentes.
  2. Aplicação de adubos orgânicos: estercos animais e compostos orgânicos provenientes da própria fazenda podem ser utilizados na lavoura sem qualquer problema. Mas outros adubos auxiliares também podem ser utilizados. Aqui tem uma lista com todos os adubos que podem ser utilizados em cultivos orgânicos.
  3. E as ervas daninhas? O ideal é manejá-las de forma que elas possam conviver com as culturas, pois isso ajuda a proteger o solo e preserva o equilíbrio biológico. Uma das formas de fazer isso é através da capina em faixas, evitando que as ervas fiquem próximas às culturas.
Exemplo de capina em faixas, descrita acima

4. Pragas e doenças? Na agricultura orgânica, busca-se o equilíbrio ecológico através de todas as práticas descritas acima. Isso significa que se você fizer a rotação e consórcio de culturas, nutrir o solo e priorizar os cultivos adequados às condições do solo e clima da região, naturalmente evitará o surgimento de pragas e doenças.

Como a gente já escreveu aqui:

Uma planta infestada por pragas não é uma deficiência da natureza, mas sim um sinal de que ela não está sendo bem nutrida. Algo está errado: o equilíbrio de nutrientes no solo, ou o rodízio de culturas ou ainda que a variedade cultivada não é apropriada para a área.
Sítio Solstício, em Teresópolis, onde se encontra a produção destinada para o Clube Orgânico

Então, quais as principais vantagens do plantio orgânico?

  • Preserva a qualidade da água usada na irrigação
  • Não polui o solo e os lençóis freáticos com substâncias químicas tóxicas
  • Assegura a estrutura e fertilidade dos solos, evitando erosão e degradação
  • Promove e restaura a biodiversidade local
  • Garante qualidade de vida humana — seja do produtor ou do consumidor

É por tudo isso que os alimentos orgânicos são tão importantes, pois são o resultado de um sistema de produção agrícola baseado em processos que não agridem a natureza, mantendo a vida do solo e dos demais recursos naturais intacta.

Que tal se tornar parceiro do agricultor orgânico e, com ele, apoiar uma produção livre de químicos danosos à saúde? www.clubeorganico.com

Ao consumir orgânicos você não só leva saúde para a sua mesa, mas também se torna parte de um sistema sadio, que respeita os produtores e os ecossistemas.
Renato Agostini | Produtor do Sítio Solstício, em Teresópolis