Coadjuvante
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O Curioso “A Filha Perdida”

O drama psicológico, uma co-produção americana/grega, “The Lost Daughter”, de Maggie Gyllenhaal (estreante), estreou no Festival de Veneza em 3 de setembro de 2021, em cinemas limitados nos EUA em 17 de dezembro de 2021 e lançado mundialmente pela plataforma de streaming Netflix na sexta-feira (31/12/2021), com 2h e 2 minutos de duração. A trama acompanha as férias da professora universitária de Literatura, a americana Leda Caruso (vivida por Olivia Colman), uma mulher de meia-idade, na Grécia, sozinha, que fica obcecada por uma jovem mãe, Nina (vivida por Dakota Johnson, e sua garotinha mimada Elena (vivida por Athena Martin), que fazem parte de uma barulhenta família, a partir desse encontro na praia Leda muda de atitude e passa a ter recordações de quando era uma jovem mãe (vivida por Jessie Buckley) de duas garotas, Bianca (vivida por Robyn Elwell), com quem tinha um difícil relacionamento, e Martha (vivida por Ellie Mae Blake), mais fácil de lidar, casada com o jovem professor Joe (vivido por Jack Farthing), que a amava muito mas tinham uma vida apertada financeiramente e sem ajuda em casa, o que ficou sufocante para ela e quando teve a oportunidade de ir a um evento literário em outra cidade, sozinha, ela se soltou e teve um caso com um aclamado professor, depois disso abandonou suas filhas e seu marido, entretanto a culpa desse abandono perdura nos dias atuais porque as filhas preferiram passar as férias com o pai deixando-a solitária e carente. O filme - baseado no livro homônimo da escritora italiana Elena Ferrante, lançado em 2014 - é bem dirigido, sombrio, comovente, incômodo, ambíguo e curioso, tem boa atuação da protagonista e da coadjuvante (Buckley), boa direção de arte, boa fotografia, belo cenário, boa trilha sonora, ritmo lento e um roteiro muito interessante, conflitante, que aborda a questão da culpa na maternidade e como é difícil escolher entre ser mãe em tempo integral num casamento falido, onde o lado profissional fica capenga, ou realizar seus desejos sexuais e ter todo o tempo possível para sua profissão, pergunta difícil para qualquer mulher, entretanto depende do peso que cada tema tenha em sua vida, de qualquer forma sempre haverá um lado que não ficará satisfeito e ninguém pode criticar essas escolhas porque são de foro íntimo, por isso, que esta história tinha que ser contada através do olhar feminino, para capturar toda sutileza necessária, o que de fato ocorreu. Importante: ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza 2021 e ganhou o New York Film Critics Circle Awards 2021, na categoria melhor primeiro filme, e ganhou o New York Film Critics, Online 2021, na categoria filme do ano. Vale muito a pena assistir. Confira o trailer:

Para quem gosta de filmes, séries e afins.