5 Lições do OuiShare Fest 2017 em Paris

Um festival de conexões.

OuiShare Fest Paris reúne 1500 visionários, empresários e construtores de movimentos para explorar como as tecnologias digitais e uma cultura mais colaborativa podem enfrentar os grandes desafios do nosso tempo.

O evento é um convite para sair da sua zona de conforto e se conectar com as pessoas que constroem a sociedade do amanhã. Você encontrará uma mistura de espírito empreendedor e pessoas de espírito livre, o chamado “TED meets Burning Man feel”, tornando-o um ótimo lugar para inovadores de todos os tipos. Tecnológicos, artísticos, sociais ou espirituais.

Com palestras e workshops de novas formas de pensar para encontrar soluções para as complexas questões atuais. O OSF também é conhecido por não ser apenas um lugar de inspiração, mas também onde são feitas conexões valiosas — tanto para sua vida profissional quanto pessoal. O evento é cuidadosamente projetado para tornar a conexão com os outros surpreendentemente sem esforço, seja qual for a tribo a que pertencem.

Incluindo jantares privados para conexões mais profundas, apresentações ao vivo para despertar conversas, música e dança para celebrar … O OSF não só desafia os participantes intelectualmente, mas visa revigorar sua mente, corpo e alma.

Fotos: Stefano Borghi — stefanoborghi.com

O primeiro OuiShare Fest foi realizado em Paris em 2012. Desde então, o modelo espalhou-se pela Europa, América do Norte e Latina e no Oriente Médio. E por ser um evento de código aberto, as comunidades OuiShare ao redor do mundo criaram seus próprios Festivais: O Colaboramerica foi realizado pela primeira vez no Rio em 2016, Barcelona organiza seu terceiro em novembro e Montreal lançou o Eco2Fest em 2016.

Eu podia escrever um post sobre cada dia do fest mas vou resumir em 3 pontos que marcaram minha experiência, e conexões no fest antes de falar das 5 lições que aprendi que são o tema do post.

Esse ano o evento ocorreu nos Magazins Generales de Pantin, onde há um canal que separava um dos espaços do evento com o espaço principal, por isso haviam pequenos barcos para cruzar o canal ou apenas dar uma relaxada entre uma palestra e o próximo workshop curtindo a vista de Paris e conectando com outros participantes.

Outro grande ponto foi uma dessas conexões a la Ouishare com Sam Applebee da rede Super Global que busca fazer o meio de campo entre agências de design e desenvolvimento que buscam projetos sociais paralelos e ONG’s e empresas sociais com necessidades tecnológicas e técnicas para se manterem sustentáveis e economicamente viáveis utilizando as novas tecnologias.

E por último, e o que me deixou mais orgulhoso de ver, a imensa massa brasileira que tomou conta do local durante todo festival, em especial para o Rafael Rezende (Meu RIo e Campanha Freixo), Tomás de Lara, Ursulla Araújo e João Casali (Rio+B e GOMA) e Manuela Yamada e Rafael Bizachi do Colaboramerica e responsáveis pela festa brasileira no fim do terceiro dia de fest. Muita satisfação e respeito em ver essa galera em ação.

Trazendo na Bagagem

Muito foi discutido e abordado durante o fest, debaixo do tema “Cidades do Mundo, Unam-se!” e os tópicos em destaque que trouxe pra casa e compartir aqui foram sobre as barreiras de crescimento de projetos e iniciativas sociais tanto governamentais quanto particulares.

Depois de tudo que vi e venho aprendendo sobre construção de plataformas e redes positivas, e as centenas de projetos existentes que vou descobrindo ‘on the go’, a minha conclusão é que os projetos enfrentam muitos problemas para conseguir a adoção em suas comunidades e consequentemente se manterem sustentáveis como empresa, porque baseiam seus modelos de negócio na mudança de atitude e comportamentos das pessoas. Entendendo que muitas das melhorias que precisamos para construir uma realidade global melhor depende da mudança de diversos hábitos, crenças e atitudes, mas meu ponto é que qualquer um que já tentou mudar um hábito prejudicial de forma consciente sabe o quanto é um processo e muitas vezes penoso, o mesmo acontece quando se tenta mudar atitudes e crenças muitas vezes enraizadas culturalmente e que não são interpretadas como danosas pelas pessoas.

Transformar ou ativar a participação das pessoas em um hábito é um processo em si e certamente necessita continuidade e tempo para se consolidar. E digo até por experiência própria porque vivi justamente esse processo de conscientização que leva a mudança de hábitos durante os últimos 9 meses colaborando com o Making Sense e investigando o problema do ruído na Plaza del Sol, em Barcelona.

Encontrar essas maneiras de engajar um determinado público ou cidadãos, é uma barreira comum a todo o setor, e é fácil entender porquê, não importa qual é o problema que esteja combatendo todos precisam aumentar a conscientização e gerar ações na comunidade.

Obviamente não existe uma resposta única para todos os diferentes tipos de problemas e de contextos, mas segundo Tiago Peixoto (@participatory), existem sim alguns direcionamentos claros que ajudam a gerar melhores ideias e soluções para os problemas locais das comunidades e que posteriormente possam ser replicados em outros contextos.

Tiago, é (brasileiro!!) especialista sênior em setor público na prática global de governança do Banco Mundial. Suas atividades se concentram em trabalhar com os governos para desenvolver soluções para melhores políticas públicas e serviços. Ele foi também destaque na TechCrunch como uma das “20 pessoas mais inovadoras da democracia”.

Eu o assisti num painel super interessante sobre como dinamizar a utilização dos serviços de base tecnológica que funcionam para o bem comum, ou ‘Civic Tech’, entre cidadãos para um próximo nível, e ele deixou 3 pontos importantes que precisam ser assimilados pelo terceiro setor.

  1. Tente fazer qualquer ponto de interação um ponto de engajamento.
  2. Social Business/ONG’s ainda sofrem para utilizar tecnologia já estabelecida para promover projetos.
  3. Mesmo quando se resolve o problema tecnológico ainda temos que resolver o problema das relações pessoais na participação.

E ainda no mesmo tema de engajamento completo a lista com outros 2 craques que estiveram juntos em outro debate falando sobre como mobilizar recursos para além do dinheiro em uma cidade participativa, Peter Baech do centro de inovação e pesquisa @Nesta_uk e @TomasDiez criador do FabLab em Barcelona o primeiro da rede na Europa

“Mil flores desabrocham…grande criatividade, porém poucas serão escaláveis. “
  1. Envolver os cidadãos no design dos processos sabendo que as pessoas usam o poder das suas habilidades para angariar mais votos
  2. Ser mais pragmático no approach. Planeje a participação em uma intervenção ou uma comunidade. Sempre procure separar o modo da moda (parafraseando meu amigo Rodrigo Carvalho nesse post) para fazer algo com sentido para as pessoas, e criar as condições para as pessoas explorarem as possibilidades.

Pra quem trabalha com design ou no meio digital com desenvolvimento centrado no usuário pode não ver muita novidade nessa lista, porque são conceitos de design thinking e design de serviços no mercado há mais de 20 anos mas para as empresas sociais e ONG’s, isso pode significar um salto de qualidade e prosperidade na sua oferta de serviços e obviamente em seu impacto na comunidade.

Quer saber mais? Vem com a gente!