Em Frente — A tecnologia como aliada na construção de uma sociedade melhor!

Em Frente é um documentário simplesmente inspirador! Se você ainda não assistiu, dê um jeito de assistir, embora sua exibição somente esteja sendo realizada, por enquanto, pontualmente e em diferentes cidades do Brasil.
O filme conta a história de quatro empreendedores sociais brasileiros que usaram a tecnologia para solucionar problemas nos âmbitos da economia colaborativa, participação cidadã, novos modelos educacionais e acessibilidade!
Através de uma visão humanista, os diretores Carol Gesser e Will Martins mostram ao telespectador que no Brasil também temos excelentes idealizadores e sobretudo, REALIZADORES de ideias! O filme foi produzido em parceria com a Social Good Brasil e a Cinnema Produções e eu tive o prazer de assistir a exibição de lançamento, realizada em São Paulo, no último dia 22 de junho.
Eu simplesmente amei o filme, por dois motivos principais, que vou explicar a seguir.
1 Os empreendedores retratados no documentário só se diferenciam da maioria de nós por uma característica: eles foram lá e realizaram seus sonhos! Em outras palavras, “deram a cara a tapa” para fazer acontecer suas ideias “loucas”.
O que estou querendo dizer? Estou querendo dizer que para mudar o mundo, continua valendo todas aquelas frases que para alguns são manjadas, tais como: “Seja a mudança que você quer ver no mundo” e “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Isso mesmo, você também pode, e as quatro histórias contadas no filme são inspiradoras exatamente por injetar uma dose de ânimo na gente e nas “nossas ideias loucas”. Claro que o fato de os quatro protagonistas estarem presentes na exibição do filme ajudou e muito a inspirar! Sim, eles estavam lá, em carne e osso, com suas famílias, alguns na sua timidez, e falaram um pouco sobre o que o filme representava para eles e seus negócios sociais. No final da exibição, foi possível conversar com eles, chorar (falo desde logo por mim, tá!) e parabenizá-los simplesmente por TER CORAGEM!
2 Os negócios representados no filme demonstram claramente que a tecnologia é uma ferramenta, que se bem utilizada tem um enorme potencial para mudar o mundo para melhor, impactando positivamente a vida de muitas pessoas!
Para mim isso significa mais um aliado na demonstração de que a tecnologia por si mesma não é boa ou ruim, como muitos insistem em discutir por aí. Não é ela que tem nos afastado uns dos outros ao estimular as relações online. Somos alguns de nós que estamos escolhendo nos relacionar superficialmente, consagrando vitória aos nossos medos e feridas (mas isso é papo para outro texto…rs).
O crescimento exponencial da Economia Colaborativa, por exemplo, é explicado justamente pelo rápido avanço da tecnologia. Através do mundo online estamos sendo capazes de resgatar a confiança que temos uns nos outros e viver cada vez mais estas relações no mundo offline. A primeira história contada no documentário trata exatamente disso, é a história de Lorrana Scarpioni e do Bliive.

Capítulo 1 — Do individual para o coletivo
Depois de cursar Relações Públicas e Direito, Lorrana continuava a se questionar o que queria fazer, qual era sua verdadeira paixão. Otimista, ela queria mesmo era mudar o mundo de uma maneira relevante e ser feliz… Idealizadora e criadora da plataforma Bliive, uma rede online de trocas de habilidades entre pessoas.
A escassez que existe hoje é virtual, não é real. Eu tenho uma habilidade, serviço ou objeto que você gostaria muito e você também tem o que eu gostaria. Só que a gente não tem o papel pra trocar isso. E o que acontece? Eu desperdiço o meu recurso e você o seu, pela ausência do papel. Quando você cria uma moeda imaterial, você acaba dando alternativas para as pessoas fazerem essas trocas.
Lorrana trabalha viajando o mundo e gosta de não ter uma vida monótona. Tem consciência de que uma vida abundante requer alguns sacrifícios e está disposta a enfrentá-los.
Casa… são as pessoas, minha família, alguns amigos antigos… são pra onde eu quero voltar sempre.
Capítulo 2 — O coletivo que muda
Quatro sócios e grandes amigos recifenses, Bruno, Gustavo, Paulo e Josemando co-criaram a Colab.re, uma rede social para a cidadania, que conecta o cidadão ao poder público. Embora muita incerteza tenha permeado a trajetória do Colab.re, sempre ocorria algo que enchia os amigos de esperanças para seguir adiante. Em 2013, com apenas dois meses de lançamento, eles ganharam o prêmio de melhor aplicativo urbano do mundo, pela New Cities Foundation. Hoje, o app tem mais de 50 mil usuários e já é utilizado como canal de comunicação por mais de 60 prefeituras no Brasil.
Quando você tá trabalhando com uma coisa que é muito maior do que você, você inverte a ordem de prioridade das coisas. Se não fosse o propósito que está por trás, o impacto que a gente tá causando na nossa sociedade, sem isso a gente não teria chegado onde a gente chegou.
Bruno diz que a Colab.re foi a resposta para a sua anterior descrença de que alguém poderia amar seu próprio trabalho. Antes, quando escutava de alguém que isso era possível, ele não acreditava. Hoje, ele está do outro lado e se sente feliz e motivado com o que faz e a contribuição que estão oferecendo ao mundo!
Capítulo 3 — A mudança da inclusão
Claudio Sassaki deixou duas faculdades, por não ver relação entre o que estudava e a realidade “lá fora”. Na busca para descobrir quem era e o que queria, começou a dar aula “para se virar”, e o resultado foi o encantamento pela educação: “foi transformador”. Cada vez mais, Claudio sentia que tinha que fazer alguma coisa e queria trabalhar para ajudar alunos que não tinham condições de pagar por um ensino diferenciado no Brasil.
Decidiu então encarar o desafio, e junto com seu sócio Eduardo Monteiro fundou a Geekie, uma plataforma de ensino na qual o conteúdo se adapta a melhor forma de aprender de cada aluno, através de inteligência artificial e análise de dados. Na Geekie, a tecnologia é o meio, não o fim. Para cada aluno pagante, outro aluno recebe acesso a plataforma de graça, o que dá sentido ao trabalho realizado por Claudio e sua equipe.
É por isso que a gente tem que fazer alguma coisa… Usar o teu tempo, expressar sua opinião, mesmo que as pessoas discordem… eu acho que isso é participar. Quando a gente escuta as histórias destas pessoas que são impactadas pelo nosso trabalho… é quando você tangibiliza o poder de transformação do que a gente tá fazendo tem. Aí é que cai a ficha… É uma sensação de que tudo valeu a pena”.
Capítulo 4 — A inclusão do acesso
Ronaldo Tenório sempre foi inquieto e por um bom tempo “deixou guardada” uma ideia de inclusão social para surdos. Assim que teve a oportunidade, desenvolveu o Hand Talk, um aplicativo que traduz texto, áudio, fotografia e conteúdo impresso para libras; é como um Google tradutor do português para a língua de sinais.
Mais ou menos 70% dos surdos no Brasil não conseguem entender o conteúdo em português, porque a experiência de comunicação do surdo é muito visual. E hoje no Brasil são quase 10 milhões de pessoas que tem algum tipo de problema auditivo... A maioria dos surdos depende exclusivamente das libras para se comunicar. O mundo tá praticamente inacessível pra eles.
Toda comunicação no aplicativo ocorre através de um intérprete visual, o Hugo, um personagem muito simpático, de mãos grandes e expressão facial marcante. O Hugo vai ficando mais inteligente com o uso do aplicativo e aprende mais sinais a cada dia. Além de promover a comunicação, o Hand Talk existe para “aproximar as pessoas, devolver o relacionamento entre elas”. Eleito pela ONU como o melhor app de acessibilidade do mundo em 2013, o Hand Talk já impacta mais de 3 milhões de pessoas no Brasil.
Ajudar pessoas, muitas delas que eu nunca vou chegar nem a conhecer… Se eu morresse hoje, acho que morreria feliz por ter realizado um grande sonho que nem eu sabia que tinha, que era impactar e ajudar todas estas pessoas.
E então, deu vontade de assistir? Porque eu já tô morrendo de vontade de ver de novo! ;-)
Ficha Técnica
Direção: Carol Gesser e Will Martins
Gênero: Documentário
País: Brasil
Ano: 2017
Duração: 71 minutos
Produção: Social Good Brasil e Cinnema Produções
Distribuição: Boulevard Filmes

