Acessibilidade para quê?

cy63113
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Jul 27, 2017 · 4 min read

Estamos temporariamente “normais”

Estou passada, não, amarrotada!

Estive no TDC deste ano na Trilha de Acessibilidade. Admito, nunca pensei muito sobre pessoas com algum ou qualquer tipo de deficiência. Então, não tenho certeza se me sinto uma péssima pessoa ou me sinto um ser humano melhor depois de tantas palestras incríveis que me ensinaram muito!

Vivemos num mundo onde uma grande parcela da população é excluída!

Segundo a Organização Mundial da Saúde, dados de 2011, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência. Conforme o Censo de 2010 do IBGE, no Brasil, quase 24% da população tem algum tipo de deficiência, seja ela auditiva, visual, física e/ou intelectual.

Já parou para pensar que estamos temporariamente “normais”? Sem algum tipo de deficiência que nos priva de ter acesso à web ou outras atividades que nos parecem tão triviais como trabalhar, frequentar museus, cinemas, escola… Você sabia que estamos muito suscetível a ter algum tipo de deficiência temporária ? Quebrar alguma parte do corpo, alguma operação que nos desabilite em certas atividades…, ou muito pior, seu estado de “normal” pode mudar assim, do dia para noite? Além do mais, vamos todos ficar velhas(os) e não vamos enxergar direito entre outras debilidades das funções corporais!

Gif do Henry Rollings sinalizando uma possível discapacidade corporal (é ele quem tá dizendo!)

Eu sei, eu sei. Tudo é difícil, complicado, não podemos salvar o mundo sozinhos. Massssss podemos começar fazendo nossa parte naquilo que sabemos fazer de melhor (ou mais ou menos), como por exemplo desenvolver sites mais acessíveis para que abranja pessoas com baixa visão, daltonismo, limitações cognitivas, neuronais, de aprendizagem, disléxicos, etc. Mesmo porque isso é lei!

“Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.” Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência

Já para surdo mudo, infelizmente fica um pouco mais complicado. Não sei vocês, mas para mim foi um choque descobrir que a maioria deles não entendem português, só a língua de sinais! Desenvolver um site com vídeos em libras para descrever o conteúdo, ainda é complicado e caro. No entanto, SEMPRE podemos juntar esforços para criar tecnologias e alternativas melhores. Comunidade open source é para isso também!

Independente de qualquer coisa, a atitude chave é EMPATIA: se coloque no lugar do outro!

Algumas coisitas que podemos implementar desde já, sem grandes esforços para deixar os sites mais friendly, afinal a Web é para todos:

  • Desde o começo do projeto já pensar nesses “detalhezinhos”, mesmo porque é mais barato e simples que quando já está pronto.
  • Você UX, pode começar a criar as personas pensando com as mais diversas deficiências. Se colocar no lugar do outro é a mágica.

(Olha só essa palestra no TDC da mjcoffeeholick sobre UX inclusiva)

  • Os daltônicos sofrem bastante. Tudo está cheio de cores, ícones, sem muitas descrições. Custa por legenda? Uma textura aqui ou ali? Sério, não precisa abrir mão do super, ultra, mega, hiper design maravilindo — Trello, Iphone, Android, também os jogos League of Legends e World of Warcraft pensam nos daltônicos, por que nós não?!?!

No site Coblis tem várias ferramentas para os daltônicos, uma muito legal é a que simula como os eles enxergam as cores. No Color Safe, você digita uma cor de fundo e determina o estilo do texto. As cores de texto acessíveis são geradas com as diretrizes que WCAG recomenda.

  • Queremos incluir todos sem parecer machista, homofóbico, transfóbicos… mas trocar a ou o por x e @ não ajuda muito quem tem dislexia. Podemos pensar em termos mais neutros.
  • E os deficientes visuais? Eles usam um leitor de tela que vai ler tudo o que está escrito ali. Semântica é o mínimo, não é? Vídeo sem legenda? Nãooooooo!!! Labels com for, input com required, types bemmmm específicos (por favor!). Preciso dizer que o alt deve ter uma boa descrição (não precisa ser textão). Contraste decente entre fontes, cores e imagens, e não, não mesmo, associe as informações somente com cores (bonitinho mas ordinário não serve).
  • Se não conhece, vamos estudar para implementar o WAI-ARIA

“Accessible Rich Internet Applications define uma forma de tornar o conteúdo e aplicativos web mais acessíveis a pessoas com deficiências. Ele contribui especialmente com conteúdo dinâmico e interface de controles de usuário avançadas desenvolvidos com Ajax, HTML, JavaScript e tecnologias relacionadas.” W3C Web Accessibility initiative

E mais um monte de cuidados simples ou que no mínimo devemos aprender e usar. Eu estou comprometida a aprender e entender melhor!

Não fui eu quem criou! Clica aqui para ver o site todo!

Deixo aqui alguns links super marotos para aprender e consultar:

codamos

Diversidade, inclusão e tecnologia para todo mundo! www.codamos.club

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