Codamos entrevista: Paula Mello

Barbara Santiago
Jul 25, 2017 · 5 min read
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Recebemos aqui no Codamos o depoimento da Paula, de Campinas, mãe da Bia e da Manu e que está entrando, pela segunda vez, no mundo da tecnologia.

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Paula Boneli Mello

A Paula estudou em colégio técnico o curso Processamentos de Dados, mas a vida a levou para outra profissão. Hoje, 17 anos depois ela está voltando para a tecnologia (uhuu), de uma forma muito comum: estudando sozinha e pela internet.

Na época do seu curso técnico Paula, já conseguia reparar na ausência de referência feminina da área de tecnologia. Em suas próprias palavras,

“ a área de tecnologia era muito nova, se não existia referências de mulheres na tecnologia no mundo, imagina no Brasil?!.”

Além da ausência dessa referência, ela também sentia falta de incentivo e apoio às mulheres, nas carreiras relacionados a TI.

De volta à esse maravilhoso mundo, que com o passar dos anos evoluiu muito, Paula esperava que essa evolução também tivesse acontecido em relação à atuação de mulheres na área. Mesmo morando ao lado de uma das maiores empresas do setor de tecnologia, em um dos maiores pólos tecnológicos do Brasil, nem o tempo e a evolução, nem o fator geográfico fez com que ela sentisse que algo tinha mudado.

E foi por essa razão que a Paula decidiu criar um blog, onde propõe contar o seu processo de desenvolvimento e sua luta por tornar o ambiente da tecnologia acessível às mulheres, o Flower Code .

Contamos essa história para mostrar que ainda falta incentivo para as mulheres no mercado tecnológico. E isso não é uma novidade. Mas assim como a Paula fez, criando o Flowers Code , têm surgido muitos grupos e movimentos propostos a mudar esse cenário. Listamos alguns abaixo:

Esses são apenas alguns movimentos que trabalham com front-end, back-end, linguagens e bibliotecas específicas, ou que simplesmente apoiam a inclusão em todos os setores da sociedade. Esses grupos estão transformando a cara e a história da tecnologia.

O nosso convite é para você que também quer fazer parte dessa mudança. Além de suas redes, agora você pode contar com o Codamos, plataforma que propõe juntar eventos, aulas, cursos e oportunidades de networking, em um só lugar. Estamos começando, ainda temos muita coisa pra ajustar, mas lá você vai poder achar, incluir e compartilhar eventos, aulas, cursos e profissionais que assim como você, a Paula e nós, querem transformar essa história :)

Leia o depoimento na íntegra:

Meu nome é Paula, 34 anos, casada, do lar e mãe de duas meninas maravilhosas. Mas essa história começa lá traz quando eu tinha apenas 17 anos. Então bora para o ano 2000.

Há 17 anos eu concluía o “Colegial” hoje chamado de Ensino médio, naquela época pude estudar em um ótimo colégio que junto ao Colegial me permitia fazer um curso junto “Técnico em Processamento de Dados”, aprendi algoritmos, fluxograma, cheguei até a fazer pequenos programas em Pascal, Visual Basic e Delphi, me lembro de ter visto muito pouco de HTML.

Mas parou ali quando terminei o Colegial, se você pensar há 17 anos atrás a área de Tecnologia era relativamente nova no Brasil e não existia muitas referencias de profissionais, agora imagina só referencia de mulheres na Tecnologia no Brasil era praticamente nulo, vamos colocar tudo isso no interior de SP agora, só para você imaginar o contexto.

Infelizmente não tive coragem, nem apoio para continuar nessa área. E vamos falar a verdade nem se passava pela minha cabeça, era um mundo pouco explorado.

Mas hoje aos 34 anos a Tecnologia entrou na minha vida, sabe por quê ? Porque simplesmente olhei pra ela e olha que demorou hein, sou casada com um Analista a 11 anos e é claro que o apoio dele foi fundamental. Fiz outra Faculdade, trabalhei em várias áreas, ai veio a maternidade que pude viver em sua totalidade. Não sei porque nunca pensei que fosse capaz, talvez por isso simplesmente risquei Tecnologia da minha vida!

A gente faz aquela ideia boba e ultrapassada que para fazer faculdade de TI, tem que ser um matemático da NASA.

Mas e daí Paula? Até agora não chegou no objetivo!

Então vamos lá…

Desde que comecei a estudar TI em casa, sozinha eu e meu note, descobri um mundo inteiro de possibilidades, e comecei a pesquisar eventos, palestras, etc… Queria estar no meio, queria conhecer gente nova, mas dos poucos eventos da minha região de 40 inscritos, 39 eram homens e 1 mulher, ai para tudo… Como assim?

O Flower{Code} nasce de questionamentos, venho do mundo Corporativo onde trabalhava com muitas mulheres e minha inserção em TI me gerou um susto enorme, infelizmente o número de mulheres é muito pequeno, e me vi tão encantada com o mundo de possibilidades que TI me proporcionou, mas me senti sozinha, e me lembrei de 17 anos atrás, confesso que bateu aquele gelo, cara será que estou fazendo a coisa certa?

Claro que isso vem mudando muito. A inserção da mulher em Tecnologia vem crescendo sim, mais talvez a passo de tartaruga.

Muitos questionamentos até que não pude deixar de olhar lá atrás e pensar que ainda hoje pode existir muita mulher que não se sente capaz, e isso precisa mudar!

Comecei a falar com as poucas pessoas que conhecia de TI, meu marido me colocou em contato com outras pessoas e felizmente muitas mulheres interessadas em montar um grupo especifico para nós, se dispondo a ajudar. Mais ninguém disposto a encabeçar essa luta, tomar a frente.

Eu ainda não sei nada desse universo, conto apenas com minha sede incessante de conhecimento e de indignação por morar do lado da IBM, próximo a Campinas um dos maiores e mais importantes polos Tecnológicos do Brasil e não achar nenhuma iniciativa a respeito.

Conversando com uma amiga de luta, a Natalia de SP, falando de tudo que tenho buscado aqui, ela me deu a ideia, de montar um Blog ou uma Página e divulgar essa luta, de tentar juntar as meninas da região, e aqui estou eu!

Cada dia converso com uma pessoa, ligo para outra e a vontade de continuar com essa causa de trazer o olhar das mulheres em tecnologia cada dia aumenta.

Sigo estudando, e talvez já vendo meu futuro em TI na área de Educação, nesse momento é a única coisa que consigo pensar, pode parecer bobo o que vou dizer (lembrando que sou mera estudante), mas já me emociono de imaginar aquela sala cheia de mulheres olhando para TI como hoje olho.

Elas só precisam saber que elas podem.

Gratidão ao meu Deus e a meu marido o maior incentivador!

Bia e Manu é por vocês!

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Bia e Manu ❤

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