A mente vista de fora

A dissociação pode ser uma habilidade muito útil. Seres humanos a aprendem de duas maneiras:

Necessidade: um trauma/situação de perigo faz com que o indivíduo se separe da experiência para sua própria proteção.

Vontade: de alcançar uma maior consciência sobre o mundo e sobre nós mesmos através da capacidade de observar de fora.

Dissociação em si não é um problema de saúde mental: é uma habilidade que, uma vez desbloqueada, se não controlada torna-se um problema de saúde mental.

Acho que esse pode ser o caso da maioria dos transtornos psicológicos.
Vejo pessoas que sofrem desses transtornos como mutantes que precisam aprender a controlar suas habilidades especiais (sim, como em X-Men). Um dom, se não controlado, controla você.

A ansiedade, por exemplo, é o ícone contemporâneo do desequilíbrio mental. Mas também é uma característica evolutiva que precisávamos desenvolver para evitar perigos desnecessários e garantir nossa própria segurança. Sem um pouco de ansiedade, provavelmente teríamos sido extintos por tigres dente-de-sabre ou talvez por nós mesmos. Ironicamente, o excesso de ansiedade de hoje provavelmente nos extinguirá se não o dominarmos (sem pressão).

Esquizofrenia, transtorno bipolar ou transtorno esquizoafetivo normalmente não são fisicamente detectáveis. Existem apenas conjecturas de que estes transtornos são influenciados por desbalanceamentos nos níveis de dopamina, contudo, as mesmas medicações utilizadas para regular os sintomas comprometem os níveis de dopamina, afetando a química cerebral 
(e em longo prazo, a estrutura física do cérebro). A própria medicação cria um transtorno, que muitas vezes acaba sendo atribuído ao transtorno previamente diagnosticado.

Pessoas que conseguem superar transtornos psicóticos (sim, elas existem!) aparentemente conseguem alcançar uma consciência superior. Elas entendem que não devem tentar retornar ao estado anterior ao seu primeiro surto psicótico porque, certamente, isso apenas levaria a um outro surto. Então, elas focaram nas suas emergências espirituais e em compreender o que a mente subconsciente lhes mostrava.

O ponto é: devemos nos adaptar às nossas próprias vidas para vivê-las da melhor forma possível — e não a um modelo preconcebido de "vida normal".

Nada em nossa mente acontece por acaso ou é desprovido de significado. Toda alucinação, delírio, pensamento ou sentimento revela uma metáfora de uma realidade inconsciente, da mesma forma que os sonhos o fazem (ou pesadelos).

Considerando que a mente inconsciente se intercepta com a consciente, alinhá-las desperta o indivíduo para uma nova consciência — mais harmoniosa e abrangente.

A questão é aprender a usar esses mecanismos mentais a nosso favor — ao invés de suprimi-los. Nós precisamos aprender a nos dissociar um pouco da nossa situação para enxergarmos nossas mentes como um objeto de experimentos e a nós mesmos como nossos próprios pacientes.

A forma como nossa mente se comporta tem muito a dizer: incluindo como reprogramá-la.

Meta-análise

Tente não focar apenas nos pensamentos e sentimentos, mas em como sua mente lhe leva a pensar e a sentir.

Saiba que a sua mente por si só não tem vontade própria; ela apenas vaga sem rumo através de conexões não-locais e pode acabar em dimensões escuras e assustadoras.

Você, contudo, é algo além, algo superior:

Você é o deus da sua própria mente

Isso significa que você pode assumir o controle.

Mas, se sua mente se comporta mais como um ateu cabeça-dura, lembre-se: um deus que não acredita em si mesmo ou em seus poderes não é lá muito crível.

Ou você acha que Zeus não sabia que ele era foda?

Ou talvez mais do que isso: uma Diva.