Estoicismo Diário #201 — Sobre a injustiça e a natureza humana
Como se tornar incorruptível
"Injustiça é uma forma de blasfêmia. A natureza criou os seres racionais pelo bem um do outro: para ajudar — não machucar — uns aos outros. Transgredir seu desejo, então, é blasfemar contra o mais antigo dos deuses. E mentir também é blasfemar contra ele (…) porque natureza é sinônimo de Verdade — a origem de todas as coisas."
— Marco Aurélio
Não gostamos quando alguém passa na nossa frente em uma fila. Não gostamos de aproveitadores e parasitas. Aprovamos leis em prol dos necessitados. Pagamos nossos impostos.
Mas na primeira chance de quebrar as regras e sair ileso(a), nós aproveitamos.
Aos olhos dos outros, tentamos parecer honestos(as) e incorruptíveis. Quando não tem alguém para nos vigiar, fazemos coisas que não deveríamos — ninguém está vendo, por que se preocupar?
Ao agir assim, o que você é, então, um ser humano ou um rato?
Injusto não é apenas quem age contra os outros, mas também quem age contra si mesmo. Quem se engana. Quem se ilude para justificar atos recrimináveis.
Justiça faz parte da natureza humana. E ir contra ela é ir contra a própria natureza.
Aplicação pessoal
Há algumas semanas, achei uma carteira no meio da rua. Ela continha apenas o documento de reservista do dono e um recibo. Como não tinha um posto policial por perto, acabei deixando-a em uma agência dos Correios.
Ao entregar à atendente, ela me perguntou o conteúdo. Eu disse que só continha um documento e papel. Ela me olhou e perguntou: "tinha algum dinheiro dentro?". Respondi que não.
Acho que a dúvida dela é justificável. Quantas pessoas são honestas (e se importam) e entregam uma carteira para ser devolvida ao dono? Não muitas.
Mesmo que a carteira contivesse algum dinheiro, eu tenho limites muito bem estabelecidos sobre que é correto ou não. Ou seja: eu não iria pegar dinheiro alheio. Fim.
Justiça faz parte da natureza humana, mas os limites moldáveis que aceitamos distorcem nossa percepção. Para um senso de justiça incorruptível — estóico — , você precisa de limites fortes e muito bem delineados sobre o que considera como justo ou não.
Para lhe ajudar, dois limites fáceis de lembrar:
"Se não é certo, não faça.
Se não é verdade, não diga."
– Marco Aurélio
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