Estoicismo Diário #207 — O que vai estar escrito no seu túmulo?

Sabrina Andrade
Jul 26, 2017 · 2 min read

"Por isso, quando vires, com frequência, uma toga pretexta ou um nome célebre, no foro, não tenhas inveja, já que essas coisas se obtêm a custo da própria vida. (…) A vida abandonou a alguns logo na sua primeira fase, antes de conseguirem atingir o máximo de sua ambição; a outros, após terem cometido diversas desonestidades e galgado a mais elevada posição, vem-lhes à mente a amarga convicção de ter trabalhado tanto por uma vã inscrição num túmulo."
— Sêneca

A vida é cheia de obrigações a cumprir, trabalhos a fazer. Com tantos compromissos, é compreensível se afogar em trabalho e esquecer o resto.

Um empresário pode negligenciar sua família alegando ter muito trabalho a fazer. Uma escritora pode abrir mão da vida social porque afirma que precisa de solidão para escrever.

A verdade é que um ficou apaixonado pelo poder, pela fama e pelo dinheiro; a outra acredita que ser antissocial e se afastar de todos mostra sua superioridade. A verdade é que gostaram de ter seus egos massageados.

Trabalhar em excesso pode realizar grandes feitos. O custo é, apenas, todo o resto.

A vida que não foi devidamente aproveitada, as pessoas ao redor que não foram valorizadas. Tudo em prol de um "Autora do best-seller X" ou "CEO da empresa Y".

No fim, de que isso serve?

Quando vejo empresários dizendo que trabalham 16 horas por dia/7 dias por semana e ainda têm tempo para a família e hobbies, me pergunto como é realmente a vida deles —se a afirmação for verdadeira.

Supondo que eles durmam e isso tome cerca de 4 horas por dia, temos 20h ocupadas. Sobram 4 horas para todo o resto. Não parece uma fração de tempo relevante para aproveitar a vida.

Pessoas como o Cal Newport são muito mais reais. Newport não trabalha depois das 17h e, em raríssimos casos, trabalha no fim de semana. Ele decidiu que trabalho jamais passará das 17h porque a família é o mais importante. E isso não o impediu de escrever cinco livros e ser professor de um curso de computação.

Acredito que o fruto do trabalho deveria se reverter em mais oportunidades de viver e não de trabalhar mais.

Somos seres humanos. E não fazedores humanos. Não somos animais, nossa vida não deve ser morrer de tanto trabalhar puxando uma carroça (e nem a desses animais).

Você não vai poder levar a carroça quando partir.



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