Estoicismo Diário #207 — O que vai estar escrito no seu túmulo?

"Por isso, quando vires, com frequência, uma toga pretexta ou um nome célebre, no foro, não tenhas inveja, já que essas coisas se obtêm a custo da própria vida. (…) A vida abandonou a alguns logo na sua primeira fase, antes de conseguirem atingir o máximo de sua ambição; a outros, após terem cometido diversas desonestidades e galgado a mais elevada posição, vem-lhes à mente a amarga convicção de ter trabalhado tanto por uma vã inscrição num túmulo."
 — Sêneca

A vida é cheia de obrigações a cumprir, trabalhos a fazer. Com tantos compromissos, é compreensível se afogar em trabalho e esquecer o resto.

Um empresário pode negligenciar sua família alegando ter muito trabalho a fazer. Uma escritora pode abrir mão da vida social porque afirma que precisa de solidão para escrever.

A verdade é que um ficou apaixonado pelo poder, pela fama e pelo dinheiro; a outra acredita que ser antissocial e se afastar de todos mostra sua superioridade. A verdade é que gostaram de ter seus egos massageados.

Trabalhar em excesso pode realizar grandes feitos. O custo é, apenas, todo o resto.

A vida que não foi devidamente aproveitada, as pessoas ao redor que não foram valorizadas. Tudo em prol de um "Autora do best-seller X" ou "CEO da empresa Y".

No fim, de que isso serve?

Aplicação pessoal

Quando vejo empresários dizendo que trabalham 16 horas por dia/7 dias por semana e ainda têm tempo para a família e hobbies, me pergunto como é realmente a vida deles —se a afirmação for verdadeira.

Supondo que eles durmam e isso tome cerca de 4 horas por dia, temos 20h ocupadas. Sobram 4 horas para todo o resto. Não parece uma fração de tempo relevante para aproveitar a vida.

Pessoas como o Cal Newport são muito mais reais. Newport não trabalha depois das 17h e, em raríssimos casos, trabalha no fim de semana. Ele decidiu que trabalho jamais passará das 17h porque a família é o mais importante. E isso não o impediu de escrever cinco livros e ser professor de um curso de computação.

Acredito que o fruto do trabalho deveria se reverter em mais oportunidades de viver e não de trabalhar mais.

Somos seres humanos. E não fazedores humanos. Não somos animais, nossa vida não deve ser morrer de tanto trabalhar puxando uma carroça (e nem a desses animais).

Você não vai poder levar a carroça quando partir.



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