Estoicismo Diário #235 —Precisa fazer algo? Apele para seus interesses
"Portanto, explique por que um sábio não deveria ficar bêbado — não com palavras, mas com os fatos de sua feiúra e ofensividade. É mais fácil provar que os chamados prazeres, quando ultrapassam a medida adequada, são apenas castigos."
— Sêneca
Será que existe uma forma de persuadir as pessoas a fazer algo sem ter que passar um sermão ou falar em conceitos abstratos?
Os estóicos não dizem "não faça isso porque é um pecado". Eles dizem "não faça isso porque vai lhe deixar miserável". Eles não dizem "prazer não é algo bom", eles afirmam "prazeres sem fim vão lhe viciar e se tornarão sua própria punição".
Como disse Robert Greene em The 48 Laws of Power, "apele para o interesse próprio das pessoas, jamais para misericórdia ou gratidão". Para convencer alguém, não diga que algo é ruim ou mau, mostre os fatos.
"Se fizer isso, aquilo acontece" ao invés de "não faça isso, faz mal".
E para convencer você mesmo(a) a fazer (ou deixar de fazer) algo, faça o mesmo. Encare a realidade dos seus atos, não um conceito abstrato.
Aplicação pessoal
Desde maio meu ortopedista me pediu para continuar a reabilitação na academia. Adivinhe quem não foi nem mesmo ver os preços. Semana passada fui para outra consulta relativa à cirurgia e, novamente, ele pediu para continuar a reabilitação.
Só que dessa vez foi diferente. Ele apelou para o meu interesse: se não continuar o fortalecimento, não posso voltar a praticar artes marciais e não vou recuperar toda a flexibilidade que tinha. Já fechei um pacote anual.
Imagine os piores casos de continuar com seus hábitos (praemeditatio malorum). O que vai acontecer se você não mudar? Encare os fatos e me diga: vale a pena continuar assim?


