Estoicismo Diário #238 — Em busca de naufrágios
Ou como perceber o que é necessário
"Fui vítima de um naufrágio antes mesmo de embarcar… A jornada me mostrou isto: quanto do que eu possuo é desnecessário e quão facilmente podemos escolher nos livrar de todas essas coisas sempre que for necessário, jamais sofrendo com a perda."
— Sêneca
Zenão, creditado como o fundador da escola estóica, era um comerciante antes de ser filósofo.
Em uma viagem, seu navio afundou e ele perdeu todos os seus bens. Então, foi parar em Atenas, onde entrou em uma livraria e conheceu a filosofia de Sócrates. Essa influência, assim como de outros filósofos, mudou sua vida de forma drástica, levando-o a criar sua própria escola.
Depois, quando perguntado sobre o naufrágio, ele respondia: "A sorte desejou que eu fosse um filósofo com menos coisas a carregar."
Às vezes precisamos de um naufrágio para perceber o que é ou não necessário e, talvez, encontrar um novo caminho. Se Zenão não tivesse perdido todos os seus bens, talvez ele jamais tivesse se voltado para a filosofia.
Não é à toa que a filosofia estóica inteira foi construída em cima da seguinte ideia: todo obstáculo cria um caminho.
Felizmente, Sêneca não precisou de um naufrágio para perceber o quanto ele possuía que não adicionava nenhum valor à sua vida.
Aplicação pessoal
Olhe ao seu redor, quantas coisas você possui e acha que são necessárias? Provavelmente a maioria. Mas se você perdesse tudo em um naufrágio, perceberia o contrário.
Não precisamos de algo tão drástico, podemos simular um naufrágio ao usar a técnica do Ryan Nicodemus, do blog The Minimalists, chamada de Packing Party.
Ryan embalou tudo o que possuía em casa como se fosse se mudar. Durante três semanas, quando ele precisava de algo, ele abria a caixa e retirava o item. Depois desse tempo, o que permaneceu embalado eram as coisas desnecessárias — cerca de 80% de tudo que possuía.
Você não precisa esperar os piores momentos para descobrir o que é importante ou não. Você só precisa criar uma condição para que possa analisar o que existe ao seu redor.


