Estoicismo Diário #289 — O benefício da dúvida

Ou não assuma as intenções alheias

"Tudo se refere às suas premissas sobre algo, e isso está em seu poder. Você pode arrancar o julgamento apressado se quiser e, como se dirigisse um navio ao redor do ponto, você encontrará mares calmos, tempo bom e um porto seguro."
 — Marco Aurélio

O jurista americano Oliver Wendell Holmes Jr. disse que até mesmo um cachorro sabe distinguir entre alguém que o chutou e alguém que tropeçou nele.

Se você tem um cachorro e já tropeçou nele, sabe que a primeira reação vai ser ganir ou latir, talvez mostrar o dentes, e rapidamente se virar na direção do agressor. A primeira reação foi provocada pela dor. A segunda reação é provocada pela sua voz, pelo carinho que você faz ao pedir desculpas. Os dentes à mostra dão lugar a um rabinho que balança por sua causa.

Nem mesmo o seu cachorro se entrega a julgamentos precipitados, então você também não deve.

Alguém esbarrou em você. Vai assumir que foi de propósito ou um acidente?

Alguém bateu no seu carro. Vai assumir que essa pessoa é louca e sai dirigindo querendo bater nos outros ou que ela não teve atenção por alguns momentos e resultou na batida?

Um pombo* cagou em você. Vai assumir que o pombo é um enviado demoníaco ou que esse é o comportamento natural desse animal?

Assumir a malícia deixa tudo mais difícil; assumir um acidente é uma forma mais tranquila de lidar com as situações. Não crie tempestades com base na paranoia.

Aplicação pessoal

Existe uma frase chamada de Navalha de Hanlon que afirma o seguinte:

Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez.

Ontem, usei meu computador durante o dia, à noite desliguei-o e fui dormir. Hoje ele não ligou mais. Consegui um computador emprestado com uma amiga, mas não tinha como baixar o programa que precisava por causa do sistema operacional. Devo culpar a vida, o universo e tudo o mais ou aceitar que problemas fazem parte da arte de viver?

Se alguém cruzar o seu caminho hoje e provocar uma tragédia, seja ela pequena ou não, você vai piorar tudo assumindo a maldade em todos os atos alheios ou vai assumir que foi um acidente, um cálculo errado ou só negligência?

Talvez seja ingenuidade assumir que todos os atos não são motivados pela malícia. Mas como disse Sócrates, ninguém faz o mal pensando que está fazendo o mal. As pessoas pensam que estão ajudando — mesmo que a si mesmas.

Não se entregue à primeira impressão sobre alguém. As coisas nunca são aquilo que parecem.

*Na verdade, no caso dos pombos, acho que eles fazem de propósito mesmo.



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