Estoicismo Diário #295 — A estupidez de pensar apenas no próprio legado

"Tal comportamento! As pessoas não querem elogiar seus contemporâneos cujas vidas eles compartilham, mas têm grandes expectativas para os elogios das gerações futuras — pessoas que eles não conhecem e jamais conhecerão! Isto é semelhante a ter raiva das gerações passadas por não lhe terem elogiado."
 — Marco Aurélio

A grande cidade de Alexandria foi nomeada em homenagem ao seu fundador, Alexandre, o Grande. Ainda hoje mantém o nome que lhe foi dado, mais de dois mil anos depois. Quão excitante não deve ser ter uma cidade nomeada por sua causa ou saber que, milênios depois, as pessoas ainda lembram de você?

Uma ideia para ponderar: não é excitante. Você já estaria morto(a) há muito tempo, assim como Alexandre, e não teria a menor ideia se as pessoas do futuro ainda lembrariam ou não. Por definição, ninguém aproveita o próprio legado.

Agora pensemos em todas as coisas terríveis que Alexandre fez para construir o próprio legado. Ele lutou guerras sem sentido (assim como dezenas de outros conquistadores). Ele tinha um temperamento terrível, chegando a matar seu melhor amigo em uma luta — enquanto estava bêbado. Observando o outro lado da moeda, ele não era tão admirável quanto diz a história.

Ao invés de pensar no que as pessoas do futuro dirão, por que você não tenta ser uma pessoa melhor no momento presente?

Seja honesto(a) e impressionante agora. No fim, esse comportamento pode lhe levar a ser lembrado(a) no futuro.

Aplicação pessoal

Marco Aurélio não escreveu as meditações com o objetivo de ser lembrado. Nem mesmo título formal os manuscritos possuíam, apenas uma frase "Τὰ εἰς ἑαυτόν". Literalmente, "para ele mesmo".

Em outras palavras, estamos lendo os diários de um imperador. Suas notas privadas cujo objetivo era auxiliar a compreensão da filosofia e ser uma forma de prática espiritual.

Hoje, Meditações já foi lido por milhares de pessoas ao redor do mundo. Essa nunca foi a intenção de Marco Aurélio, mas sua dedicação em lidar com o agora da melhor forma, seu interesse em fazer o certo no momento em que podia e seus pensamentos sobre tudo isso criaram um texto atemporal.

Devemos ser mais como Marco Aurélio e menos como Alexandre. Nossas ações não podem ser motivadas pelo que as pessoas vão dizer, mas pelo que deve ser feito, não importando o tamanho da escolha — lavar os pratos e ajudar sua mãe, ou parar o trânsito para que uma pessoa ou um animal não seja atropelado.

Significa usar as virtudes cardinais como guia para nossas escolhas, não a necessidade por reconhecimento.



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