Estoicismo Diário #328 — "Lembre-se disto"

"Sempre que você experimentar as dores de perder algo, não a trate como parte de você, mas como um vidro quebrável, então, quando cair, você vai se lembrar disso e não será incomodado. Da mesma forma, sempre que você beijar seu filho, irmã ou amigo, não coloque em cima da experiência todas as coisas que você deseja, mas segure-as e pare-as. (…) Da mesma forma, lembre-se de que quem você ama não é um dos seus bens, mas algo dado por enquanto, não para sempre."
 — Epictetus

Na antiga Roma, quando generais retornavam, eles desfilavam pelas ruas da cidade, seguidos pelos seus soldados.

A maioria das pessoas prestava atenção apenas ao General, àquele ser que lutou e sobreviveu defendendo seu território ou conquistando outros, mantendo a paz ou expulsando inimigos. O que muitos não percebiam eram algumas pessoas atrás do general, sussurrando em seu ouvido: "Lembre-se disto, você é mortal". Que lembrete para se ouvir em um momento de glória…

Nós queremos ser os generais, mas seria melhor se aprendêssemos a ser os sussurros.

Podemos sussurrar em nossas mentes que qualquer coisa que desejamos é frágil. Mortal. E não nos pertence. Não importa quão fortes ou invencíveis venhamos a nos sentir, as coisas nunca são realmente assim. Tudo pode quebrar e desaparecer.

A perda é um dos nossos maiores medos. Mas ignorar a possibilidade de perder algo não deixa nada melhor, apenas intensifica os momentos ruins quando o objeto do desejo finalmente quebrar.

Aplicação pessoal

Há alguns meses, um dos meus melhores amigos faleceu. E o choque foi ainda mais intenso porque, em momento algum, contemplei a possibilidade de perder alguém tão próximo. Depois disso, imaginar que a qualquer instante posso perder alguém se tornou rotina (de forma similar ao usuário do Reddit que comentei há alguns dias).

Ninguém gosta de pensar nas possibilidades negativas, especialmente quando otimismo is all the rage. Mas evitá-las deixa tudo pior.

Ignorar a imprevisibilidade do mundo, fingir que mudanças não acontecem conosco ou imaginar que ainda temos muito tempo são formas de evitar a realidade. E a realidade é: tudo é frágil, tudo pode quebrar —não importa se hoje, amanhã ou depois.

Quando aprendermos a contemplar a finitude das coisas, quando nos acostumarmos aos sussurros de memento mori, nenhuma perda vai ser tão trágica, é apenas parte da vida.

Portanto aproveite as coisas e a companhia das pessoas, mas não trate-as como suas. Elas não lhe pertencem, apenas estão em sua companhia por algum tempo. Não jogue esse tempo fora.



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