Imperador Marco Aurélio. Fonte: https://www.circeinstitute.org

Estoicismo Diário #137 — Não confunda ideais com objetivos

Ou por que ser estóico é um trabalho em andamento

"Mostre-me alguém doente e feliz, em perigo e feliz, morrendo e feliz, exilado e feliz, desgraçado e feliz. Mostre-me! Por Deus, como eu gostaria de ver um estóico. Mas já que você não pode me mostrar alguém tão perfeitamente formado, pelo menos mostre-me alguém que esteja ativamente formando a si mesmo nesta direção… Mostre-me!"
— Epictetus

Alguns objetivos, disse Bruce Lee, não são para serem alcançados, eles servem apenas como um guia.

O mesmo se aplica à filosofia. Ela não é um fim em si, mas um trabalho em andamento para refinar nossa mente. Trata-se de uma sucessão de ações, não uma coleção de epifanias.

Epictetus adorava abalar seus alunos quando eles se sentiam satisfeitos com o próprio progresso. Ele não tinha a intenção de desestimular os estudantes, mas mostrar que o caminho que percorreram representa nada em relação ao caminho que ainda podem percorrer.

O treinamento tem que ser diário. Mas é importante que nos lembremos disto: o caminho de refinar a mente e a si mesmo(a) não possui um fim. Não existe uma linha de chegada que você pode cruzar e dizer: "eu consegui, não há mais nada a fazer".

Da mesma forma, o sábio estóico não é um objetivo, mas um ideal.

Aplicação pessoal

Cato, o Jovem, é visto como um ideal estóico. Mas o próprio Cato abandonou o caminho da filosofia em determinados momentos.

Quando seu irmão faleceu, a quem Cato amava profundamente e tinha verdadeira adoração, ele abandonou seu exército, correu para o local onde estava o corpo do irmão e mandou organizar o maior funeral possível.

Isso parece uma atitude estóica? Pois é, não é. Isso significa que Cato abandonou tudo o que acreditava? Não. Ele se entregou em um momento, mas, depois, reconheceu o que havia feito e usou o seu momento de descontrole como aprendizado.

Eu e você vamos sair do caminho — ontem eu saí do caminho. Vamos fazer coisas que nos arrependeremos. Tomaremos decisões estúpidas. Muitas coisas vão dar errado, outras nos perturbarão profundamente.

Além da morte, a imprevisibilidade da vida é outra certeza que temos. Por isso o estoicismo tem que ser um ideal, não um objetivo. Um guia no nosso dia-a-dia.

Objetivos podem ser alcançados, ideais podem nos guiar por toda a vida.



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