Estoicismo Diário #55 — A verdadeira origem do mal

"Tenha em mente que isto não é a coisa que quer lhe fazer mal e lhe direciona golpes com intuito de lhe machucar, mas que o dano vem de sua própria crença sobre o abuso. Então, quando alguém despertar sua raiva, saiba que é realmente sua própria opinião alimentando-a. Em vez disso, torne a sua primeira resposta não ser levado por tais impressões, pois com o tempo e a distância, o autocontrole é mais facilmente alcançado."
— Epictetus

Um bilionário que perde 500 mil reais terá uma reação, nós teremos outras se perdermos a mesma quantidade. Se seu/sua companheiro(a) disser algo negativo a você, você irá reagir de forma diferente do que se fosse o seu inimigo. Isso significa que precisamos de um contexto para poder classificar algo como bom ou ruim.

Os estóicos nos lembram constantemente que não existem circunstâncias objetivamente boas ou ruins. Nada tem um valor intrínseco, apenas o sentido subjetivo que damos às situações de acordo com o contexto em que estamos inseridos.

Em Meditações, Marco Aurélio escreveu um lembrete para si: "Nós temos o poder de não ter opinião sobre algo e não deixar que prejudiquem nosso estado de espírito — porque as coisas não possuem poder natural para moldar nossos julgamentos."

A nossa reação ao que acontece define se algum mal foi provocado ou não.

Se tivermos uma reação negativa, acreditamos que algo nos fez mal. Se tivermos uma reação positiva, algo nos fez bem. Mas constantemente esquecemos que temos o poder de não reagir. Logo, o que aconteceu não faz a menor diferença e podemos continuar nosso dia sem sermos perturbados(as).

Aplicação pessoal

Depois de um ano de mestrado, eu precisava defender meu projeto para uma banca composta por três professores: a famosa qualificação.

Tudo deu errado e pouparei os detalhes de tudo que os professores disseram. Minha reação durante o episódio foi apenas: "ok, professora", "sim, faz sentido, colocarei essa informação no projeto" e afins enquanto ouvia tudo o que não gostaria (e na frente de uma platéia).

Eu posso ter agido de forma estóica durante a defesa, mas o que importa é minha reação após: ao invés de manter a mesma calma que mantive enquanto ouvia os professores, eu me deixei dominar pela raiva.

Quando reclamamos ou deixamos algum sentimento intenso nos dominar, o dano foi feito. Devemos agir como pedem Epictetus e Marco Aurélio: não nos deixar levar pela primeira impressão, mas transformar a primeira impressão na ausência de reação. Devemos parar, nos distanciar do que aconteceu e pensar: "se eu visse isso acontecendo a um amigo, qual seria a minha reação?", provavelmente seria "deixa pra lá, não tem sentido se irritar com isso" e agir de acordo com a própria sugestão.

Palavras e ações não têm o poder de nos machucar. A origem do mal reside no momento em que decidimos reagir, ao invés de sermos indiferentes às coisas que não fazem diferença.



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