Estoicismo Diário #56 —O castelo de areia

Sabrina Andrade
Feb 25, 2017 · 3 min read

"Mantenha uma lista em sua mente daqueles que queimaram por causa da raiva e ressentimento em relação a algo, daqueles mais renomados por causa do sucesso, das desventuras, dos atos malignos ou qualquer distinção especial. Então se pergunte, como que tudo terminou? Fumaça e poeira, o material para mitos tentando ser lendas…"

— Marco Aurélio

O Imperador Marco Aurélio repetidamente escrevia como foi o reinado dos imperadores que vieram antes dele e ressaltava como, pouco tempo depois, eles mal eram lembrados. Raiva, obsessão ou perfeccionismo incitavam a ação e a necessidade de dominação e expansão, mas até mesmo Alexandre, o Grande, foi enterrado na mesma terra que o guia da sua mula.

Para Marco Aurélio, isso era um lembrete de que não importa o quanto ele conquistasse ou impusesse sua vontade no mundo, eventualmente, tudo seria levado embora pelos ventos do tempo, assim como um castelo de areia.

Eventualmente, todos nós morreremos e seremos esquecidos(as). Os estóicos lembram-se constantemente que nosso tempo nesta terra é curto, logo, ele tem que ser vivido bem.

As nossas emoções e nosso ego desejam que sejamos como esses imperadores: que queimemos ardentemente sem pensar nas consequências. Até o momento que o tempo se esgota, estamos cheios(as) de arrependimentos e não sabemos o que fizemos com nossa vida.

Ao invés de nos transformar em escravos(as) das nossas emoções, especialmente as que nos deixam miseráveis e insatisfeitos(as), devemos aproveitar nosso breve tempo da melhor forma possível.

Aplicação pessoal

Uma enfermeira passou anos acompanhando pacientes no leito de morte e listou os arrependimentos que eles tinham. Um deles é: "eu gostaria de ter sido mais feliz".

Imagine que você está em uma cama e é o seu último dia de vida, quais os arrependimentos que você não deseja ter? Qual o tipo de legado que você quer deixar? Como você quer ser lembrado(a)?

Agora lembre-se que você não está no seu último dia de vida.

Você ainda pode viver a vida que você gostaria, e não a vida que acham que você deveria viver.

Você pode diminuir o ritmo e aproveitar os momentos.

Você pode assumir o controle e submeter suas emoções e desejos ao filtro da razão e viver uma vida mais feliz, uma vida cujo foco é no essencial e não no trivial.

Emoções intensas, desejos, prazeres e trabalho em excesso apenas fazem com que desperdicemos o tempo que temos. Felizmente, você pode mudar o padrão, aproveitar o seu tempo e não ter arrependimentos quando o final da história chegar. Lembre-se do que Sêneca disse:

Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos boa parte dela. (…) Ninguém te devolverá aquele tempo, ninguém te fará voltar a ti próprio.

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