Estoicismo Diário #71 — Coloque-se no lugar do outro

"Quando alguém lhe fizer mal, imediatamente considere a noção de bem e mal que ele teve ao agir. Quando você vislumbrar isso, você sentirá compaixão, ao invés de se espantar ou se enraivecer. Porque você pode ter a mesma noção de bem e mal, ou alguma similar, em ambos os casos, você amenizará o ato. Mas se você não possuir as mesmas noções, você será mais afável em relação a seus erros."
— Marco Aurélio

Sócrates disse que ninguém provoca o mal de forma voluntária. Em outras palavras, agimos acreditando que estamos certos(as), especialmente quando estamos errados(as).

Você já pensou na possibilidade do mal que cometem contra você não ser intencional? Quantas vezes você não ouviu "nossa, eu só queria ajudar" ou "foi sem querer" depois que alguém fez algo que lhe prejudicou? Provocamos o mal achando que estamos fazendo o bem a alguém ou a nós mesmo, mas quando somos as vítimas, nos enfurecemos.

Marco Aurélio escreveu um lembrete sobre compaixão quando pediu a si mesmo para se colocar no lugar do outro e entender o que motiva suas ações. É um exercício de paciência, ao mesmo tempo que oferece a possibilidade de autoconhecimento — será que você não agiria da mesma forma?

Seríamos pessoas mais tolerantes e compreensivas se pudéssemos ver os atos dos outros como sendo originados em uma boa intenção. Você pode não concordar com o que os outros fazem, mas você não acha que sua vida seria melhor se adotasse uma atitude menos ofensiva em relação às pessoas?

Aplicação pessoal

Há alguns anos, no meio de uma aula, um colega conseguiu a façanha de derrubar café quente em mim enquanto trocava de cadeira (que desperdício!).

Na minha mente, não poupei xingamentos direcionados a ele e toda sua árvore genealógica. O resto do meu dia foi uma verdadeira porcaria porque passei o tempo todo enfurecida e repassando a situação em minha mente. Essa era minha resposta padrão a acidentes ou situações que davam errado — e quase destruí um relacionamento por causa disso.

Mas ao analisar a situação, a possibilidade de que eu tivesse sido vítima do mesmo erro é enorme, sou desastrada e poderia derrubar fácil um copo de café quente em cima de alguém. Se depois do choque provocado pelo calor eu tivesse me colocado no lugar dele, a situação teria sido menos prejudicial para minha mente (e para quem estivesse ao meu redor).

Não devemos esconder os atos errados embaixo do tapete e fingir que nada aconteceu. Mas, para viver melhor, precisamos aprender nos colocar no sapato do outro e entender as motivações por trás dos atos. Assim, além de conhecermos mais sobre nós mesmos(as), deixaremos de perceber o mundo através de uma lente bélica.