Estoicismo Diário #86 — Pague o preço que as coisas valem

"Diógenes de Sínope disse que vendemos as coisas de grande valor em troca de coisas de menor valor, e vice-versa."
— Diógenes Laércio

Se você tiver o dinheiro, você pode comprar um sofá incrustado com diamantes, uma mansão em Los Angeles ou uma casa de campo no sul da França, um iate ou um jatinho, ou pode contratar um assassino de aluguel (dependendo das suas necessidades). Mas qual o verdadeiro valor dessas coisas? Uma pequena massagem no ego, nada mais.

Diógenes, fundador da escola de filosofia cínica, enfatizava o verdadeiro valor das coisas (axia), um tema que persistiu no estoicismo. Facilmente perdemos a linha e pagamos mais do que devemos — tempo, dinheiro, paciência — em troca de algo que não vale o preço.

Quando as pessoas ao seu redor desperdiçam milhares de reais em algo que não vale a pena, é fácil assumir que esse é o padrão.

As coisas boas da vida (e as necessárias) têm o preço que têm, enquanto o supérfluo custa além do retorno que receberíamos. O problema é saber como diferenciar um do outro e investir corretamente.

Aplicação pessoal

Gastar dinheiro, tempo, paciência… com coisas que não precisamos faz parte da rotina. Perdemos o rastro do que estamos fazendo.

Desperdiçamos nosso tempo com distrações
Perdemos nossa paciência com uma fila de banco que sabemos que não podemos agilizar ou ultrapassar
Perdemos dinheiro comprando algo que não precisamos para tentar preencher um vazio que sempre volta.

Tim Ferriss afirma que existem coisas em que devemos investir, mesmo que pareçam absurdas. Um empresário que está muito cansado e tem um voo de 9h pela frente pode optar por uma cadeira na primeira classe. Não se trata de agradar o ego, mas de melhorar o estado atual — ter a oportunidade de descansar.

Eu viajo em dois dias. Preferi gastar um pouco mais de dinheiro em um voo cujo horário é mais conveniente do que poupar umas dezenas de reais e comprometer minha segurança (o destino não é lá muito adequado para ficar perambulando pelas ruas enquanto espero o check-in do hotel).

Se a escolha retorna na forma de melhoria no bem-estar ou propicia paz de espírito, então o custo é equivalente ao benefício. Caso contrário, você perdeu seu investimento.

Em que você tem investido? O retorno tem valido a pena?