Estoicismo Diário #95 — Confie, mas verifique

"Primeiro, não deixe que a força das impressões lhe façam perder o controle. Diga a ela, 'espere um pouco e me deixe ver quem você é e qual sua origem — deixe-me testá-la'…"
– Epictetus

Uma das maravilhas da nossa mente é a capacidade com que ela pode compreender e categorizar eventos e coisas.

Como disse Malcolm Gladwell, estamos constantemente tomando decisões em curtos períodos de tempo com base em anos de experiência e conhecimento, mas, ao mesmo tempo, também estamos confirmando preconceitos, estereótipos e pressupostos.

A primeira forma de pensamento é uma das nossas grandes vantagens, a segunda, um dos nossos maiores defeitos. Mesmo tendo o poder, não verificamos aquilo que passa pela nossa mente — assumimos como verdade, mesmo que sejam mentiras.

Não precisamos de muita coisa para considerar a veracidade dos nossos pensamentos, apenas algumas perguntas:

Isso é realmente tão ruim assim? O que eu realmente sei sobre essa pessoa? Por que eu tenho sentimentos tão intensos aqui? Esses pensamentos e essa ansiedade estão adicionando algo de positivo à situação? O que é tão especial sobre isso?

Ao nos fazer essas perguntas, colocamos nossos pressupostos e impressões à prova como Epictetus recomenda. Então, nos tornamos menos propensos a sermos levados(as) por essas impressões e tomarmos uma decisão mal fundamentada.

Como diz o provérbio russo, "confie, mas verifique".

Aplicação pessoal

Em computação, existe um termo chamado "developer bias" ou viés do desenvolvedor — o desenvolvedor acredita que o código que escreveu funciona sem problemas, logo, não existe razão para testá-lo. Obviamente, nem todo código é escrito de forma tão organizada e brilhante que impede o surgimento de qualquer bug.

Por essa razão, todo sistema precisa passar por ciclos e mais ciclos de testes, normalmente conduzidos por uma equipe que não trabalhou no desenvolvimento para impedir o surgimento desse viés.

Dessa mesma forma que devemos encarar nossos pensamentos: eles parecem perfeitos e à prova de balas no primeiro momento, afinal, nossa mente é maravilhosa, não? Como poderíamos ter julgamentos errados?

Mas quem foi que pensou que a mente é maravilhosa? Ops. Logo, estamos sujeitos a mais erros do que gostaríamos de cometer, somos enviesados por nossos próprios pensamentos. Precisamos testá-los, validá-los, verificar sua origem e sua veracidade antes de nos entregar a eles.

Confie em si mesmo(a), mas não custa nada verificar.