Marco Aurélio sobre a necessidade por reconhecimento

Ou como parar de perder tempo com valores de merda

Em 1983, um guitarrista talentoso foi colocado para fora da sua banda.

Os integrantes tinham acabado de fechar um contrato para um álbum, mas alguns dias antes do início das gravações, mostraram a porta ao guitarrista. Sem uma palavra, sem reclamações, sem briga. Apenas a porta e uma passagem de ônibus.

O guitarrista, no caminho para casa, se perguntou que merda havia acontecido. O que ele tinha feito de errado? Será que tinha perdido a chance da sua vida?

Felizmente, ao chegar no seu destino, ele já tinha abandonado o drama. E decidiu que ia ter uma banda que seria mais famosa do que a dos caras que o expulsaram.

O guitarrista era Dave Mustaine, fundador da banda Megadeth. E a banda da qual ele foi expulso era Metallica.

Mustaine tem uma banda absurdamente famosa e vendeu mais de 25 milhões de álbuns. Mas ele ainda se considera um fracasso porque sua banda não superou a fama do Metallica.

Eu e você podemos olhar para o Dave e rir da situação toda. Ele no hall da fama e, enquanto isso, eu e você estamos aqui sobrevivendo ao dia-a-dia. Como esse músico famoso pode se considerar um fracasso?

A resposta está nos valores de merda que Dave Mustaine adotou em sua vida.

Nossos valores determinam as métricas pelas quais mediremos nós mesmos e os outros. Esse desejo do Mustaine — ser mais famoso que o Metallica — faz parte de uma coleção de valores que criam problemas para as pessoas que os aceitam. Problemas que elas não precisam e que não têm solução.

Há dois mil anos, Marco Aurélio se alertou em relação à necessidade por fama e reconhecimento:

"As pessoas ficam animadas com a fama póstuma e esquecem que aqueles que se lembrarão delas também morrerão em breve. E aqueles que vierem depois também. Até que suas memórias, passadas de geração em geração como uma vela, se esmaecem e se vão.
Mas suponha que aqueles que se lembrarão de você são imortais e sua memória eterna. Que bem isso lhe faria? E eu não digo apenas quando você estiver morto, mas na sua vida. Que uso tem a glorificação, além de fazer sua vida um pouco mais confortável?
Você saiu do caminho — negligenciou os presentes da natureza para passar adiante as palavras de alguém."
– Marco Aurélio

Mustaine é incapaz de aproveitar a própria vida porque condicionou sua medida de sucesso a algo que ele não pode controlar. A algo que Marco Aurélio disse a si mesmo para evitar. Enquanto Mustaine continuar a guiar sua vida de acordo com o sucesso do Metallica, ele jamais vai conseguir viver.

Talvez você queira reconhecimento, em um momento da minha vida eu também quis, mas de que nos serviria? Reconhecimento é algo externo. E condicionar nossa vida a algo que não podemos controlar é pedir para vivermos imersos em estresse, ansiedade e medo.

“Onde então eu busco o bem e o mal? Não em eventos externos incontroláveis, mas em mim mesmo, nas escolhas que eu posso fazer.”
– Epictetus

Precisamos ter valores melhores que isso (fama, prazer, sucesso material ou estar sempre certo(a)) porque aquilo que valorizamos define como enxergamos nossos problemas e como medimos nosso próprio sucesso/fracasso.

Isso significa que precisamos nos guiar por conceitos baseados na realidade. Algo que podemos controlar, que depende unicamente de nós e que tenha alguma utilidade — valores que dependem do mundo interior, jamais do exterior.

Não seja como Dave Mustaine que conseguiu o que muitos sonharam, mas ainda se acha um fracassado. Escolha bem em que você vai basear o seu sucesso.

Ou como o próprio Marco Aurélio já sugeriu: valorize a justiça, o auto-controle, a honestidade e a coragem (e não trabalhe para um chefe trouxa).


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