O desafio de 31 dias (ou como descobrir o que é importante para você)

“Se você não consegue fazer algo por 31 dias seguidos, aquilo não lhe interessa”

Eu li essa frase em 2015 e parecia algo tolo. Trinta e um dias é um período de tempo curto para praticar algo, não tem como você não conseguir. De qualquer forma, resolvi colocar o conceito à prova.

Primeiro, resolvi testá-lo com poker online. Poker sempre me fascinou, parecia perfeitamente possível jogar por 31 dias seguidos. Não era. Era divertido e consegui jogar por 7 dias seguidos, até perceber que não tinha interesse suficiente para continuar.

Depois, resolvi testar com programação Swift. Eu já tinha estudado Objetive-C, mas Swift parecia tão simples e elegante que não resisti. Eu estudei por 10 dias seguidos antes de abandonar e desinstalar o Xcode em um rage quit. (Se você já usou o Xcode, sabe como é frustrante quando ele fecha do nada e você perde tudo.)

Então, resolvi escrever um texto por dia em 2017. Por que? Não sei, deu na telha, achei que seria legal.

Tem dias em que quero desistir e me pergunto porque me propus a algo tão estúpido, mas alguma coisa me faz continuar. Resultado: acabei redescobrindo meu interesse pela escrita.

Experimentação é a chave

“Resultados negativos são justamente o que eu desejo. Eles são tão valiosos quanto os resultados positivos. Eu não poderei encontrar aquilo que funciona melhor se não encontrar o que não funciona.” ― Thomas A. Edison

No livro Essencialismo, Greg McKeown propõe que nós, adultos chatos, devemos brincar mais.

Quando crianças, brincar é a nossa lei. À medida que crescemos, somos ensinados que brincar é desperdício do nosso tempo e abandonamos muitas das coisas que nos interessavam. Temos responsabilidades e não podemos parar para fazer algo tão trivial quanto brincar ou ter um hobby.

Menos brincadeira, mais produtividade, certo?

Errado.

Segundo o psiquiatra Stuart Brown, brincar leva à plasticidade cerebral. Em outras palavras, brincar altera nosso cérebro, nos deixa mais criativos e adaptáveis — e também nos leva a experimentar mais.

Quando brincamos, ampliamos a variedade de opções que temos disponíveis.

Eu decidi jogar poker por diversão. Descobri que não era pra mim, mas tenho uma opção para quando me sentir lucky e acabei aprendendo algumas coisas importantes sobre probabilidade.

Também decidi escrever por diversão (e para ocupar parte do meu tempo ocioso), mas, desta vez, acabei encontrando algo além do que esperava.

Brincar nos mostra as possibilidades, além de:

  • Aliviar o estresse
  • Aumentar tolerância a ambiguidades
  • Melhorar a capacidade de planejar, priorizar, analisar e organizar
  • Criar novas conexões que não poderiam ter sido criadas em outra situação (modo difuso e modo focado)
  • Estimular o lado questionador
  • Aumentar produtividade

Hobbies: experimentando sem compromisso

“O trabalho que você faz enquanto fica enrolando é provavelmente o trabalho que você deveria estar fazendo para o resto da sua vida.” — Jessica Hische

Decidir fazer algo com algum objetivo em mente carrega a ação com expectativas e ansiedade.

Se você decide aprender a programar com o intuito de conseguir um trabalho como programador(a), existe uma tensão na hora de aprender. Ao investir na sua possível carreira de programador(a), quando você sente que não é o que esperava, a tendência é não desistir porque você não quer desperdiçar o investimento. Você se obriga a continuar. No mundo das finanças, isso se chama influência dos custos perdidos: continuar investindo em algo que não vale a pena apenas para não perder o investimento prévio — porque, afinal, seres humanos são perfeitamente racionais.

Você se força, se estressa, se pune quando não faz algo da forma certa e quer evitar o desperdício. Você acabou de sabotar os seus 31 dias.

Se você se obriga a fazer algo significa que provavelmente não deveria estar fazendo isso.

O contrário acontece quando temos um hobby ou um projeto paralelo: não existem expectativas, fazemos pelo puro prazer de fazer. E se enjoamos ou cansamos, desistimos sem pensar duas vezes.

Nossos projetos paralelos são nosso playground.

Nossos hobbies guardam a chave para descobrir nossos interesses porque não há expectativas. Podemos testar, praticar e abandonar sem peso na consciência, até o momento que nos deparamos com algo que nos prende.

Você não pode esperar uma epifania que lhe diga o que fazer.

Você precisa experimentar, até encontrar uma atividade que se transforme em algo mais do que uma brincadeira.

O ato de criar algo, de experimentar, de brincar diz quem somos. Austin Kleon, autor de Roube como um Artista, disse que se tivesse esperado para saber quem era, ele jamais teria começado algo na vida.

O que você vai fazer pelos próximos 31 dias?

Escolha um hobby ou um projeto paralelo — algo sem expectativas associadas. Durante 31 dias, decida fazer algo pelo puro prazer de fazer. Se você aguentar esse tempo, tenha certeza de que você está no caminho de algum interesse de longo prazo.

Aprenda a pintar, desenhar, jogar xadrez, escrever, tocar violão, cantar, dançar, montar modelos de aeronaves, costurar, fazer tricô. Cansou depois de 5 dias? Deixe de lado, procure outra coisa. Comece um novo experimento.

Cada falha é um sucesso porque é um caminho a menos para percorrer na hora de descobrir o que funciona.


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