“Serenidade começa com pessimismo.”

“A vida é uma série de mudanças naturais e espontâneas. Não resista; isso apenas cria tristeza. Deixe a realidade ser realidade. Deixe as coisas fluírem naturalmente da forma que desejarem.” ― Lao Tzu

O autor Nassim Nicholas Taleb sugeriu uma abordagem chamada via negativa para resolver problemas. Trata-se de remover elementos ao invés de adicionar variáveis ao processo decisório.

Em uma entrevista, Alain De Botton, filósofo e escritor suíço, foi perguntado se ele acredita que existe algum tipo de impedimento para ter uma vida mais sábia e serena — algo a ser removido, ao invés de acrescentado:

A serenidade, portanto, começa com o pessimismo. Devemos aprender a desapontar-nos antes que o mundo tenha a chance de nos dar uma surpresa no momento que preferir.
Os irritados devem aprender a verificar sua fúria através de uma entrega sistemática e paciente de suas esperanças mais fervorosas. Eles precisam ser cuidadosamente induzidos às mais sombrias realidades da vida, às pessoas estúpidas, às falhas inelutáveis da tecnologia, às falhas necessárias da infra-estrutura.
Eles devem começar cada dia com uma meditação curta e completa sobre as muitas humilhações e insultos aos quais as próximas horas correm o risco de submetê-los

Alain sugere que ao invés de tentar buscar a felicidade, deixemos de lado essa jornada e abracemos a possibilidade da tristeza e do sofrimento.

Mas remover a busca da felicidade não vai contra tudo o que dizem por aí?

Não, só reafirma algo que esquecemos: é normal sofrer. É normal estar triste. É normal ter problemas. Mas com tanto livro de autoajuda e gurus dizendo o contrário, temos uma ideia deturpada do que é realmente normal.

Acreditamos que ser normal é viver feliz o tempo todo, largar o trabalho em prol de algo que amamos sem pensar duas vezes, ter a família perfeita e o estilo de vida perfeitos, e ser um exemplo de auto-controle. Qualquer coisa fora dessa imagem tornou-se inaceitável.

Um dos objetivos da civilização é instruir sobre como ficar triste ao invés de irritado. A tristeza pode não parecer muito atraente. Mas traz — neste contexto — uma grande vantagem.
É o que nos permite separar as energias emocionais de fúria infrutífera em torno de coisas que (por mais que sejam ruins) não podemos mudar e que não são culpa de ninguém em particular e — depois de um período de luto — reorientar nossos esforços para lugares onde nossas poucas esperanças e expectativas legítimas remanescentes têm chances realistas de sucesso.

Ao remover a ideia de que precisamos estar sempre felizes eliminamos a dependência emocional sobre o que acontece ao redor. Não precisamos culpar alguém porque nosso desejo não se realizou. Não precisamos dizer que o que aconteceu é ruim.

Aprendemos a aceitar o que não podemos controlar e seguimos em frente, sem raiva, sem estresse.

Como diria Epictetus, "a principal tarefa da vida é identificar e separar as coisas de forma que podemos claramente dizer quais são externas e não estão sob nosso controle, e quais escolhas podemos efetivamente controlar".

O nosso resultado esperado, claro, sempre será algo positivo, mas aceitando o pessimismo de forma prática, ampliamos o leque de resultados para incluir os casos ruins. E se algo muito bom acontecer, será uma bela surpresa.

Podemos, como diria Sêneca, viver como sábios porque tudo o que acontece não estará fora das nossas expectativas.

O pessimismo é sempre visto com maus olhos, mesmo que o otimismo possa ser ainda mais prejudicial por nos deixar cegos às dezenas de possibilidades.

Mas o pessimismo aplicado de forma prática pode simplificar a vida porque nada terá o poder de perturbar nossas mentes, afinal, nada acontecerá que será contrário às nossas expectativas.

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