O agosto que não terminou

Chove. Da minha janela, posso ver as gotas de água escorrendo. Uma, duas, três. Para a chuva, nada muda.

Nos últimos dias fez Sol.

Agora chove. E nada mudou.

Hoje é 31 de agosto de 2016. É apenas um dia chuvoso. Mas de onde vem esse nó na garganta? O mesmo nó sufocante de quando perdemos um familiar ou um amigo querido.

Deve ser porque não me vejo ali, representado por aqueles 81 seres humanos. Sim, humanos, que vão ao banheiro, têm unha encravada e, assim como eu, se molham ao sair na chuva. Devem achar incômodo quando encharcam as meias ao pisar em uma poça d’água.

Ainda mais forte é a sensação de que, em 2013, vi uma semente ser plantada. Hoje, essa semente, que cresceu rápido, rouba toda a água da chuva que dava vida uma também jovem árvore, ainda tentando se manter de pé.

Estou vendo a história ser escrita. E não estou gostando. Mas tudo bem.

Amanhã é 32 de agosto.

Em algum momento da história agosto há de ter um fim. E a primavera vem logo em seguida.

Agora chove. E tudo mudou.