A subida pode até ser complicada, mas o panorama compensa — Nordkette, Innsbruck

Inspirando(-se com) o ar dos Alpes…

Hiaman Rodrigues
Sep 2, 2018 · 7 min read
Hafelekarspitze, 2334 m., o ponto mais alto no Nordkette — foto minha

Estava aqui pensando com meus botões como a gente pode achar inspiração em praticamente tudo o que vivencia e como isso é saudável para a nossa vida e para o processo criativo da nossa cabecínea. Um livro, uma música, um quadro, filmes, viagens, cidades, textos acadêmicos (não julgo, tá), pessoas e trajetórias de vida, a Beyoncé, blogs, a paisagem através da janela do trem (euzinho neste momento, enquanto vos escrevo =P)... e a lista só cresce.

Quero falar sobre uma frase que virou um mantra de vida pra mim, minha gentê: “a trilha é íngreme, mas o panorama desde o topo compensa”. Não consigo encontrar onde li isso, nem o autor, mas quero deixar bem claro que não é de minha autoria a citação.

A experiência que compartilho neste post é justamente a de viver essa frase na realidade. De uma maneira bem literalzona, me senti no topo do mundo, uma vista surreal, a cabeça pra lá das nuvens, mais de dois mil metros entre mim e o chão! Então, belíssima ou belíssimo aí do outro lado, senta que lá vem história.

Vambora? — foto minha

Vou começar com um nomezinho difícil, grava aí e aproveita para anotar na lista de lugares para conhecer antes de bater a caçoleta: Innsbruck, a “Capital dos Alpes” (apelido mais que justo, viu?!). É uma cidade no oeste da Áustria, mais especificamente no Tirol austríaco, uma região famosa (adivinha por quê?) por conta dos Alpes.

Só para deixar a tia Verinha das aulas de Geografia bem feliz, os Alpes são uma das maiores e mais altas cordilheiras do mundo, se estendendo por oito países na Europa. O Tirol é uma região que compreende Itália e Áustria, mas também é o nome de um estado na Áustria, cuja capital é (quem? quem? quem?) Innsbruck.

Innsbruck lá embaixo, cortada pelo rio Inn, e os Alpes em segundo plano (não é lindimais?) — foto minha

Visitei Innsbruck quando estava em Munique, na Alemanha, em janeiro de 2018. Janeiro significa inverno no hemisfério norte, logo, Alpes bem servidos de neve. Geralmente, os turistas que vão a Munique optam por visitar o Castelo de Neuschwanstein (pronuncia aqui comigo: /NÓIXIVANSTAIN/ obg de nada). Dá para ir de trem até uma cidade próxima ao Castelo chamada Füssen (faz biquinho no /ü/). Reza a lenda que o visu é sensacional e que foi esse o castelo que inspirou o Castelo da Cinderela nos Parques da Disney em Orlando.

Eu já tinha visto bastantes castelos até então (o próprio Bourbon de Orleans e Bragança, eu mesmo), e nenhuma montanha #forçaícone. Por sugestão de uma amiga, resolvi fazer diferente: um bate-e-volta na Áustria desde Munique. Olha, foi a melhor decisão!

Innsbruck fica a distância equivalente de Munique, se comparada à distância entre Munique e Füssen. Fui pela empresa de ônibus Flixbus (muito boa e preços bem bons também!!). Em menos de duas horinhas estava aos pés dos Alpes.

Centro de Innsbruck com uma vista excepcional! A cidade está situada aos pés dos Alpes — foto minha

Mas por que ficar só embaixo quando você pode subir, não é mesmo? Nordkette é uma cadeia de montanhas ao norte da cidade de Innsbruck. Faz parte de uma reserva ambiental chamada Karwendel — a maior reserva natural da Áustria. Existe um sistema de funiculares que liga o centro da cidade até lá em cima nas montanhas. Esse sistema chama Nordkettebahn. São quatro estações, anota aí: 1) Congresso/Hofburg, 2) Hungerburg, 3) Seegrube e 4) Hafelekar, a estação mais alta. .

Cê deve estar pensando “quê que esse moço acabou de dizer?”. É, eu sei, é muito nome difícil… Mas, belíssimo ou belíssima, a Nordkettebahn tem um site muito bonitinho para achar todas as informações, previsão do tempo, vídeos ao vivo, preços, ofertas, e ele vai estar linkado bem aqui, do inglês, right here baby. O uso do site é bem intuitivo e dá para se programar bem. Fato é que dá para chegar lá em cima em menos de meia horinha com os funiculares.

Bem, se você curte arquitetura tanto quanto eu, vale a pena parar e observar as estações do sistema de funiculares que levam ao topo de Nordkette. Elas foram projetadas pela renomadíssima Zaha Hadid, um dos principais nomes na arquitetura moderna, devido à inovação e visual bem modernoso de suas obras. O gelo e a neve da própria região dos Alpes foram a inspiração da arquiteta para o design dessas estações.

Hadid já recebeu diversos prêmios, entre eles o principal de arquitetura — o Pritzker. Detalhe, foi a primeira mulher a receber esse prêmio, em 2004. Na verdade, somente três mulheres foram laureadas em quase quarenta anos de premiação. A falta de reconhecimento e diferenças salariais, entre os gêneros, por exemplo, são tópicos a serem pensados em profissões dominadas por homens nos postos mais altos. Linkadas duas leituras que tratam um pouco dessas questões em Arquitetura.

Uma das estações projetadas por Hadid — foto minha

Zaha Hadid faleceu em 2016, mas deixou seu legado na Arquitetura, através de uma rica obra. Se tornou conhecida por desafiar os limites da arquitetura e design urbano, enfrentando o convencional. E adivinha só quem ela admirava um bocado? O nosso Oscar Niemeyer. E, já que o tema desse post é inspiração, vai aí uma citação da arquiteta, que teve que lidar durante toda sua vida com questões sobre ser mulher, muçulmana e iraquiana na área de Arquitetura:

“Seu sucesso não será determinado pelo seu gênero ou pela sua origem étnica, mas tão somente pela extensão dos seus sonhos e pelo seu trabalho duro para alcançá-los.” (fonte: Time — tradução livre).


Pois bem, como dizia, a parte mais legal é chegar até o topo de Nordkette. O primeiro passo é ir andando até a estação Congresso/Hofburg, e comprar o ticket para o furnicular lá (sai um pouquinho mais barato do que ir direto da Hauptbahnhof, por exemplo). Eu optei por comprar o Innsbruck Card. Esse é um passe que dá acesso às principais atrações da cidade, entre eles o Nordkette e é possível adquiri-lo por 24, 48 ou 72 horas.

Também dá para visitar o Alpenzoo, um zoológico que fica bem pertinho da estação Hungerburg — a segunda estação (após a estação do Congresso/Hofburg, lembra?) do sistema de funiculares que servem Nordkette. Lá é possível entrar em contato com a fauna dos Alpes, já que esse é o zoológico com mais exemplares de animais selvagens que habitam nos Alpes do mundo. É bem interessante e deixei linkado o site oficial para mais infos. As outras atrações de Innsbruck vão ficar para outro post hihihi.

Me sentindo o próprio Sebastião Salgado nesse clique — foto minha

Tá, mas os funiculares te levam até lá em cima, massss não te levam até o ponto mais alto possível. Para chegar até o Hafelekarspitze (olha a foto aqui embaixo), tem que usar as canelinhas, minha gentê! São uns bons metros até lá, uns vinte minutos de caminhada, e a neve estava fofíssima fofíssima, não ajudava nada. Os pés afundavam a cada passada.

“Gipfelkreuz” marca o topo de uma montanha — Hafelekarspitze — foto minha

Chegar lá em cima foi trabalhoso, mas valeu cada queda de bumbum na neve, cada escorregão, a dificuldade de respirar e todo o frio (pés gelados! brrrrrr). Quando cheguei ao topo, fui por alguns instantes a única pessoa ali em cima, até outros turistas começarem a chegar. Foi uma experiência única! Pude ficar sozinho com meus pensamentos, ouvir apenas o vento e aproveitar esse momento de conexão com a natureza, ali de cima nos Alpes — estonteado pela beleza do que eu estava vendo.

Como disse, fui tomado por uma sensação de estar no topo do mundo e muito disso se deveu a como tive que me esforçar para chegar ao cume. Nesse sentido, a sensação foi muito diferente, e muito mais gratificante, do que chegar a cada nível mais alto com os funiculares, dá pra me entender?

Mais uma pra você ficar embasbacado(a) — foto minha

O que ficou pra mim, então, foi a experiência prática de que o esforço que empenhamos em algo têm muito a ver com os resultados que serão colhidos e o quão gratificantes eles serão, sejá lá o que nos propomos a empreender. A subida é árdua, mas o panorama compensa, e compensou muito, muito! O ponto é que, por mais percalços que haja no caminho, o importante é trilhá-lo, aprender, encarar os ‘’’’fracassos’’’’ (e quem é que regula o que é “”fracasso”” e ‘’’’sucesso’’’’, não mesmo?) com mais vontade ainda.

Certamente foi a experiência mais incrível que já vivi! E, claro, como bom colecionador:

Chaveiro número 2 — “A subida é árdua, mas o panorama compensa”. Innsbruck, Áustria

Por Hiaman Rodrigues

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Colecionando Chaveiros

Um blog dedicado a compartilhar um pouco de minhas andanças por esse Mundão de Meu Deus — por Hiaman Rodrigues, um singelo colecionador de momentos felizes, desilusões amorosas e chaveiros.

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