Lucy, protagonista de V/H/S.

Como não gostar de Lucy

Coluna “Guro Lolita”, por Bruna Machado

V/H/S não é o seu típico filme de terror. Até mesmo porque não é apenas um filme, mas uma coletânea de seis curtas dirigidos por nomes como Tyler Gillet e Justin Martinez (ambos co-diretores de O Herdeiro do Diabo) e Adam Wingard (You’re next). Herdeiros do tipo de filmagem que se expandiu massivamente com ‘As Bruxas de Salem’, o Mockumentary (do inglês, falso documentário), V/H/S também é gravado usando “câmeras de mão”. E é isso que, como em muitos filmes de terror dos últimos tempos, chama a atenção. Não se tem como escapar do falso ar de realidade dessa assustadora compilação lançada em 2012.

Pôster de V/H/S

No filme, uma storyline segue-se no background dos curtas, algo que, ao meu ver, diferencia o filme da também aclamada série de curtas de 2012, Abc’s of Death. Um grupo de jovens está a caça de uma fita V/H/S numa casa habitada por um homem morto. Na sala de estar, o cadáver e montes e montes de fitas VHS, com diversas TV’s em estática e um videocassete ligado. O grupo começa a vasculhar a casa em busca daquela fita única, enquanto um deles fica na sala para “vigiar o corpo”. Esse um, acaba sempre assistindo uma fita. E essas fitas são sempre de um gore ótimo e pontual.

O primeiro curta, adorado por muitos, é Amateur Night. Neste conto, um grupo de jovens vai a uma festa procurando meninas que topem fazer um vídeo pornô amador. Os três garotos conseguem duas jovens. Uma garota cool, que está além de bêbada, Lisa, e Lucy, uma mulher de aparência inocente, que parece perdida e prende-se principalmente a um dos jovens. Eles seguem da festa para um motel, onde Lisa desmaia de bêbada. Sobra para Lucy realizar o desejo dos garotos, mas o que descobre-se é aterrador. Meio sucubbus, meio vampira, meio harpia, Lucy devora a cena com seus atos. Preste atenção nos detalhes da maquiagem da personagem, nos toques sutis antes da transformação gravada por um google glass. Não há o que dizer além de: Lucy, I Like You.


Vale a pena conferir, também, os outros curtas: The Second Honeymoon, com uma cena incrível de assassinato digna de deep web, Tuesday The 17th, que nos lembra muito a web series de terror Marble Hornets, The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger, para aqueles que gostam do clima de “A experiência” e 10/31/98, um ótimo curta que parece ter saído dos melhores episódios de Supernatural, ou do ápice das creepypastas.


V/H/S tem seus pontos fracos, também. Não é um filme para todos. Apenas aqueles que gostam do bizarro vão gostar, pois ele mais choca do que assusta. Então ele não atende ao público normal dos filmes de terror, que preferem o escárnio Trash e alguns gritos na sala de cinema, mas sim àqueles que já sentiram vontade de assistir snuff movies e gostam de filmes como Serbian Movie, só que sem tanta crítica ou exagero. É também, como a maior parte dos filmes de terror, considerado sexista, cheia de cenas de nudez e sexualidade explícita meio desnecessária. Porém o filme tem suas melhores cenas e atuações nas personagens femininas, o que compensa um pouco.

O filme não foi lançado em solos tupiniquins, assim como o sequel, V/H/S 2, que segue a mesma linha, com o mesmo background até. O terceiro da trilogia foi lançado há pouco tempo e atingiu boas críticas no Brasil. Porém, o primeiro continua sendo meu preferido.

Ainda mais por Lucy.

(I Like You)