A Lua

E ela me seguia, se escondendo atrás dos tijolos mal acabados e emaranhados de fios com tênis pendurados.

Me espiava cobiçando minha razão, furtando minha concentração…
Conforme eu dirigia, ela ia pra um lado, pra outro, sumia, aparecia…
Parecia brincar entre lenços, se enrolando até ser coberta o suficiente para causar em mim saudade.

Do nada surgia bem na frente, quase cheia, deixando só um pedaço no breu pra instigar a imaginação de um poeta marginal percorrendo as entranhas da periferia, bailando com ela nas crateras e nas curvas da estrada que percorria de onde eu a via brilhando por trás de casas sobrepostas, iluminando lajes, espiando os lares e seduzindo os poetas.

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