TEXTO POR FELIPE SALAZAR

O TRAMA acabou?

Coletivo Trama
Sep 9, 2019 · 6 min read

Em novembro de 2017, o Coletivo Trama estava comemorando.

Havíamos conquistado um financiamento coletivo, arrecadado 55 mil reais para lançar uma plataforma digital open source feita de forma colaborativa e no aniversário desse lançamento, ocupávamos um galpão criativo em São Cristóvão junto com parceiros, colaboradores e amigos, celebrando nossa rede e conquistas.

Dois meses depois, o Coletivo ficou inativo. Depois de 4 anos juntos, cada um seguiu seu caminho. Mas, o que aconteceu?

O TRAMA surgiu em 2014. Inspirado pelas Jornadas de Junho e a cidade do RJ explodindo de cultura, tínhamos como principal objetivo a ocupação de espaços públicos ociosos ao conectarmos artistas,microempreendedores e moradores a esses espaços.

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Quem fundou o Trama em 2014. Da esquerda para a direita: Erik Lobo, Bernardo Brasil, Felipe Salazar, Bruna Souza, Karmel Arruda e Lucas Gebara.

A partir de um projeto de faculdade, percebemos que tínhamos potencial para levar a frente a ideia, o sonho e juntar pessoas como nós, que acreditavam nessa visão de mundo.

Mais do que qualquer outra coisa, o TRAMA foi um laboratório de desenvolvimento de cada um que passou por lá.

Destemidos e curiosos, nos lançamos fora das nossas zonas de conforto e começamos a pensar como agentes de mudança: Qual o impacto que queremos causar?

Aprendemos muito sobre a Economia Criativa e Colaborativa. Realizamos mais de 100 projetos e eventos feitos junto com a rede: mapeamentos de iniciativas colaborativas, ocupações no espaço público, uma plataforma digital de conexões em rede, dinâmicas de facilitação e de design thinking, metodologias abertas e transparentes, cineclubes, feiras independentes e culturais ou até mesmo um cafézinho e uma cerveja gelada.

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Arte linda da Karmel Arruda, artista visual oficial do Coletivo TRAMA

Sustentabilidade

Lentamente, o contexto das nossas vidas começou a mudar. A faculdade foi chegando ao fim e a "vida real" começava a chegar com mais força nas nossas vidas.

Tínhamos outros sonhos, necessidades e vontades: sair de casa, morar sozinho, viajar, crescer e amadurecer. Conforme o tempo ia passando, a insustentabilidade do projeto começava a se anunciar.

A conta não fechava e toda grana que conquistávamos, vinha de fora, de projetos como freelancer ou estágio. Enquanto era um experimento, um laboratório de projetos, fazia sentido continuar explorando e desafiando nossas habilidades.

Apesar de conseguir criar relações que iam muito além do dinheiro, perdemos algumas oportunidades de tornar o Coletivo TRAMA um projeto sustentável, principalmente por não mostrar aos nossos colaboradores e parceiros o trabalho que havia por trás do desenvolvimento de cada evento, encontro ou iniciativa colaborativa.

Multiplicidades

Com isso em mente, exploramos diferentes lados desse laboratório de inovação, para gerar alternativas financeiras.

  • Coletivo, amigos reunidos para mobilizar iniciativas criativas independentes.
  • Um produto digital, uma plataforma open-source, feita com voluntários, com um potencial absurdo de catalisar as iniciativas dos colaboradores e parceiros envolvidos no Coletivo.
  • Uma pequena empresa, Farol, oferecendo consultoria de inovação para microempreendedores da nossa rede.
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Mais uma da Karmel Arruda, a artista visual oficial do Coletivo

Buscando alcançar a sustentabilidade o mais rápido possível e com essas frentes abertas, começamos a produzir, gerir e articular conteúdo de forma intensa.

Foco e propósito

Com 3 startups acontecendo simultaneamente, não nos dedicamos a nenhuma delas com objetividade. (sem contar a reta final da faculdade e a vida pessoal de cada um, claro.) Desfocados, nos afastamos dos nossos principais valores e as origens do projeto.

Ao nos afastarmos do Coletivo, nos perdemos da rua e dos nossos fundamentos: da rua como espaço de construção de relações espontâneas, criativas e democráticas.

Ao nos afastarmos da Plataforma Digital, perdemos de vista o alcance do do nosso impacto, e de certa forma do apoio dos voluntários que dedicaram meses na construção dessa ideia e o f. Mas isso é um texto para outro momento.

Mudança é a única constante!

Ao final de 2017, tentamos de fato oficializar uma pequena iniciativa gerida pelo núcleo do projeto.

Depois de 2 meses focados com a formulação de novos serviços, modelos de negócio e o branding de uma nova marca, paramos para avaliar o trabalho e ficou claro que estávamos distantes do que lá no início nos moveu a fundar o Coletivo.

Irreconhecível dos valores originais do projeto, a nova empresa não dialogava com a mesma necessidade do surgimento do TRAMA.

“Estamos resolvendo ainda o mesmo problema de antes? Será que faz sentido continuar nesse novo formato?”

Após o recesso do final de ano e a chegada de 2018, decidimos dar um tempo e nos afastar do TRAMA para“refrescar” nosso olhar. Eventualmente, novos projetos, pessoais ou profissionais, começaram a surgir e a vida seguiu para cada um dos membros.

O apagar das luzes

Sendo assim, nossa comunicação externa cessou por completo. Paramos de postar, de gerir e de nos mobilizar por algo senão nossos próprios desafios pessoais e profissionais.

Sem ninguém olhando para o centro, para o esforço diário que sustentava o projeto, o TRAMA foi adormecendo lentamente até apenas restar o legado do nosso trabalho nos últimos anos.

Não era o propósito do TRAMA que impulsionava as pessoas. Era o propósito dos integrantes que impulsionava o TRAMA.

O desejo que havia em cada um de crescer, evoluir e experimentar novas abordagens foi o que sempre tornou o Coletivo dinâmico e participativo.

Ao mesmo tempo que a marca ia sendo deixada de lado, ela continuou carregando seus valores, trajetória e conquistas. Continuou sendo usada para mobilizar pequenos projetos, como por exemplo, o Mapeamento Afetivo realizado em 2018 junto com a Casa de Estudos Urbanos na Glória.

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Foto de capa do evento no Facebook.

O TRAMA não acaba. Se transforma.

Hoje em dia, quase 2 anos depois, o TRAMA está se transformando. Com novos trameiros envolvidos em um novo projeto colaborativo de ativação urbana e engajamento participativo, o propósito do projeto está mais vivo do que nunca.

Acreditamos que as pessoas que usam os espaços públicos, deveriam ser incluídas no processo de desenvolvimento e criação desses lugares.

Com essa nova pegada que se inspira no passado e projeta o futuro, estamos voltando nosso foco a construção e fortalecimento das redes e relações locais, do uso dos espaços públicos como plataforma de inovação social e o diálogo ferramenta

Aproveitando a realização da Virada Sustentável nos dias 19 e 20 de Outubro no Rio de Janeiro, estamos reativando a rede do TRAMA para realizarmos juntos mais uma ocupação cultural em uma praça da cidade.

Realizamos pesquisas online, entrevistamos moradores, articulamos redes de criativos e comércios locais, aproximamos lideranças comunitárias, associações de moradores e convidamos iniciativas independentes.

Nosso objetivo principal é a criação de um movimento de revitalização do bairro que surja a partir do que todos tem em comum, ao invés das diferenças. Enfim,tem muito trabalho pela frente ainda… Isso é só o começo!

Se quiser saber mais, fica ligado nas redes do TRAMA, vamos divulgar todo nosso processo :)

#trameamudança

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Coletivo Trama

Articulação em rede para co-criar e fomentar iniciativas…

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Written by

O Trama é uma rede criativa, que busca criar conexões entre pessoas transformadoras, facilitando ações colaborativas na cidade.

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Articulação em rede para co-criar e fomentar iniciativas colaborativas.

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O Trama é uma rede criativa, que busca criar conexões entre pessoas transformadoras, facilitando ações colaborativas na cidade.

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