Um relato sobre financiamento coletivo [Parte 1/3]

Lançamos, dia 16 de setembro, nossa campanha de financiamento colaborativo, com o objetivo de criar uma plataforma que permita conexões entre pessoas através de ações independentes, viabilizando a mudança que cada um deseja ver por aí.

Esse foi o projeto de maior duração já abraçado pelo Trama, e o que mais nos desafiou (e continua desafiando). Mas, para explicar como foi o seu processo, precisamos voltar um pouco. Precisamente para 14 de junho, quando recebemos uma primeira mensagem “Acho que isso aqui é a cara de vocês” (uma das frases que mais ouvimos antes de nos envolvermos em algum projeto).

Recebemos o link para o Canal Matchfunding da Youse na Benfeitoria, junto de um chamado para ir na reunião com os interessados e a equipe da Benfeitoria, para apresentar o projeto e tirar dúvidas.

Vale ressaltar que o Trama já analisava a possibilidade de criar uma campanha de financiamento coletivo (seja ele recorrente ou não), desde muito antes. Era uma vontade nossa, ter como maneira de nos sustentar financeiramente, o apoio de quem acredita e “compra” a ideia. Mas sempre ficávamos travados: E se ninguém quiser nos apoiar? Como vamos oferecer algo em troca? Temos capacidade de lidar com algo desse porte? E, por fim, nunca realizamos.

Participamos da reunião, gostamos do que ouvimos, preenchemos o formulário online e algum tempo depois recebemos a notícia: Fomos escolhidos. Tínhamos dois meses para montar nosso planejamento e assim começamos.

PLANEJAMENTO DO CROWDFUNDING

Assim que nos inscrevemos no projeto, começamos a nos organizar e seguimos três passos básicos:

  1. Separamos os membros que seriam responsáveis por gerenciar a campanha;
  2. Definimos quais seriam as nossas ferramentas de trabalho: utilizamos o Google Drive para arquivos, Slack para conversas e o Trello para tarefas e prazos).
  3. Planejamos quais seriam as nossas ações de engajamento para conseguir colaboradores em um cronograma.

Durante o planejamento de campanha, entendemos que era necessário a construção de três pilares para iniciar o financiamento: bom vídeo, bom texto e excelentes recompensas.

VÍDEO

Recebemos mil e uma recomendações sobre o vídeo:

  • Tem que ter em média três minutos.
  • Tem que ter proposta clara.
  • Precisa atrair a pessoa nos primeiros 10 segundos
  • Etc, etc etc.

Conseguimos a imensa ajuda da Luana Kozlowski, Igor Leite e Fernando Fernandes, com a Cinestesia Coletiva e Jerimundo Filmes. Ter conosco uma pessoa que estuda e trabalha com cinema foi fundamental, pois muitos detalhes foram subestimados ou sequer levados em consideração. Com ela trabalhamos exaustivamente em um excelente roteiro, locações, falas, som, luz, etc. Durou em torno de um mês a criação do vídeo, desde seu primeiro rascunho até a edição final. Entregamos faltando pouco para o início da campanha, devido a imprevistos.

Aliás, o que mais aprendemos ao longo da campanha: Imprevistos acontecem o tempo inteiro. Pense neles, abrace-os e não se desespere.

TEXTO

Explicamos o Trama e o nosso propósito a partir de um grande frankenstein de outros financiamentos que bateram suas metas. Nosso objetivo primário era que o texto passasse a mensagem e o objetivo de maneira que uma pessoa que não conhece o Trama, entendesse e apoiasse a ideia. Para isso, procuramos projetos similares ao nosso, e suas maneiras de se expressar. Não queríamos que fosse longo, pois sabemos que cada vez mais o tempo de foco de leitura é menor. Tão importante quanto o texto foram as ilustrações, fotografias e gifs. Elas precisavam ser compatíveis com a identidade visual criada, e dialogar com o texto.

Gif para complementar “O Que Fizemos”

RECOMPENSAS

Esse é o grande pulo do gato. Somos um coletivo que aprecia, mais do que qualquer coisa, experiências. Por mais felizes que ficamos ao ver alguém usando nossas camisas, sabemos que nosso grande diferencial é o conhecimento que agregamos ao longo desses dois anos. E, ainda mais importante, não queremos guardar nenhum conhecimento: queremos disseminar todos. Conhecimento guardado de nada vale. Por isso, passamos por um intenso processo de entender, dentro do que temos a oferecer, o que os nossos colaboradores mais se interessariam. Rendeu bastante debate. Pedimos diversas opiniões, e enfim trouxemos um pouco do conhecimento de cada um:
Organização pessoal: feita pela Gabriela Ornellas, que estudou esse assunto para trazer ao Trama maior organização e aumento de produtividade.
Coletivo Trama: Articulação, Sistemas Horizontal e Redes: Feita por nós, sobre nossa trajetória de crescimento e gestão horizontal da equipe, estudo sobre sistemas e criação de redes.
Dinâmicas de Colaboração e Facilitação: Aprendizado através de um grupo de estudos de facilitação chamado Dojo, nos quais os trameiros Felipe, Karmel e Gabriela participam.
Oficina de Design Thinking: Entre os seis trameiros, quatro são estudantes de design. Como aprendemos essa ferramenta durante todos os períodos do curso exaustivamente, decidimos compartilhá-la para os interessados em novas maneiras de resolver problemas ou criar projetos colaborativamente.
Consultoria pessoal: Dedicada a projetos de pessoas da nossa rede, vendo como podíamos ajudá-los a crescer e achar novos e melhores caminhos.

Além das palestras e oficinas, também oferecemos alguns produtos: Nossas camisas, uma ecobag criada para o matchfunding, ilustrações de parceiros nossos e o mais novo adesivo.

Acreditamos que a união de experiências e produtos marquem positivamente os contribuidores da campanha, e fechamos essa etapa.

ORÇAMENTO

Além da construção da melhor campanha possível, também era fundamental entender quanto dinheiro pedir e onde gastar. Como a nossa plataforma está sendo criada colaborativamente (E você pode saber mais sobre isso clicando aqui!), o maior custo seria anulado: O de desenvolvimento. O financiamento seria focado em outra parte: A de aquisição de usuário. Essa é uma das partes mais importantes de uma plataforma, mas uma das mais difíceis. Vimos exemplos de plataformas similares com 50 mil usuários nos primeiros meses, e, por mais engajada e unida que nossa rede seja, não é um número que pode ser conquistável sem um bom plano. Orçamos, então, a primeira e segunda meta.

O orçamento mínimo foi composto por três partes:

  • Infraestrutura de manutenção da plataforma, criação de um evento de pequeno porte e ações de engajamento de comunidade. Para a infraestrutura da plataforma, são necessários cinco mil reais.
  • A criação de um evento de lançamento de pequeno porte, ou seja, um evento de duração de um dia inteiro, com uma rotatividade de mil pessoas. Seriam gastos dois mil e quinhentos reais somente para os gastos com taxas e alvarás necessários, sendo um encontro de colaboradores com interações gratuitas, como aula de yoga, oficina de pintura com tintas orgânicas, aula de malabares, intervenção de um artista plástico e exposição de fotógrafos independentes e ilustrações.
  • Ações de engajamento de comunidade, serão gastos trinta mil reais (separados em três meses). Inclusas nessas ações, estão: análise de mercado, público-alvo, concorrente, ambientes internos, externos ao coletivo, benchmarking, estratégia de conteúdo, monitoramento e análise de performance da campanha, linguagem visual, criação de conteúdo audiovisual, campanha física pela cidade (propaganda, flyer, lambe-lambe, intervenções) e media online.

O segundo orçamento é o mesmo que o anterior, modificando o evento de pequeno porte para um de grande porte. Para a criação desse evento, é necessária a inclusão dos seguintes gastos: barracas, frete, gerador grande, três geradores pequenos, mesas e cadeiras, filmagem, um palco, brigadista, courrier, eletricista e segurança. A soma desses acréscimos é de oito mil e quarenta reais.

E assim terminamos uma etapa: A de planejamento. Nos próximos textos, será abordado o período de campanha e o pós.

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