Pomodoro nosso de cada dia

Mateus Malaquias
Aug 31, 2018 · 8 min read

Sou daquele tipo de pessoa que não consegue ficar parada muito tempo no mesmo lugar ou fazendo a mesma coisa, a minha mente simplesmente viaja.

Não se preocupe, não tenho TDA e muito menos TDH! Apenas sou desatento para uns e criativo para outros.

Gosto de pensar que sou uma pessoa que fica entediada rapidamente.

Quando resolvi me mudar da Bahia para São Paulo no ano passado, passei por uma grande mudança de pensamento. Precisava fazer mais, aprender mais, ser melhor. Eu lia uma tonelada de posts sobre o mesmo tópico, conversava muito no Twitter sobre o que andava lendo e a vida foi seguindo.

Mas se tem uma coisa que nunca consegui fazer foi ter longas sessões de estudo, foco total no trabalho ou na leitura dos livros das Crônicas Saxônicas.

Sempre tinha alguma coisa tirando a minha atenção depois de 30 ou 40 minutos. Se você é uma pessoa que consegue se concentrar numa única atividade por pelo menos 60 minutos, deve estar lendo essa introdução e pensando:

“Quanta baboseira! Começou o texto com uma historia tão fraquinha só para justificar o uso do pomodoro.”

Gostaria muito de conseguir me concentrar em alguma atividade por mais de 40 minutos, gostaria muito de passar horas codando sem parar noites a fio, mas a minha mente não funciona assim.

As distrações estão ao meu redor o tempo todo e tenho encontrado muito sucesso usando essa técnica. Então, peguei as coisas que fizeram mais sentido para mim e as compilei nesse texto.

Óbvio que esse é um conteúdo muito pessoal. O que eu falar aqui pode nem funcionar para você. Então sugiro que você leia e tente encontrar seu próprio caminho.

Todos nós temos personalidades únicas que exigem ideias únicas. Todavia acredito que podemos aprender com as experiências dos outros. Espero que esse conteúdo seja uma parada interessante na sua caminhada.

Pomo… doro… Pomodoro?

Quem nunca experimentou a ansiedade causada pela falta de tempo? Sabe aquela sensação desagradável de estar perseguindo compromissos inalcançáveis?

Muitas pessoas experimentam a técnica Pomodoro pensando que é uma ferramenta de melhoria da produtividade.

Quando, na verdade, Francesco Cirillo, desenvolveu essa técnica visando:

  • Aumento no foco e na concentração;
  • Evitar interrupções desnecessárias causadas pelas distrações do dia a dia;
  • Aumento da sua motivação para execução de atividades;
  • Reforço dos seus objetivos;
  • Detalhamento do seu modelo do processo;
  • Praticar a melhoria contínua do seu processo de execução;
  • Aliviar a ansiedade.

Portanto entenda que Pomodoro é uma técnica desenvolvida para lhe permitir trabalhar com o tempo e não contra ele.

Muitas pessoas vivem a vida considerando o tempo o seu maior inimigo. Consigo perceber isso toda vez que vou na Estação Pinheiros em São Paulo. São nesses momentos que me lembro do Coelho de Alice no País das Maravilhas correndo contra o relógio porque está atrasado com seus prazos.

Outro ponto que essa técnica busca eliminar são os nossos esgotamentos, por meio de pausas curtas e agendadas durante a execução de uma atividade. No começo temos a sensação de que estamos perdendo um tempo muito precioso, mas se a técnica estiver funcionando para você com um pouco de prática, a sensação de relaxamento vem.

É difícil de se perceber, mas o nosso dia a dia está recheado de pequenas distrações. A internet é um oceano de informações (úteis e inúteis): com ela ganhamos o e-mails, mensagens do Facebook, Netflix, YouTube, Instagram, Twitter, Jogos Online... A lista de distrações parece não ter fim.

Normalmente, essas distrações podem esperar. A técnica Pomodoro nos ajuda a evitá-las durante um período de tempo e priorizá-las no momento de relaxamento.

Tudo o que eu estou falando aqui parece até conversa para boi dormir, porém o resultado final de tudo isso é um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O Pomodoro padrão

Criado pelo italiano Francesco Cirillo no final da década de oitenta, para ser uma metodologia de gerenciamento de tempo bastante simples, temos um cronômetro de 25 minutos. Durante esse tempo você deve se concentrar exclusivamente em uma única tarefa, ignorando as interrupções.

Esse período de concentração é chamado de Pomodoro (tomate em italiano) e é sempre seguido por uma breve pausa, de três a cinco minutos de duração.

A ideia é que essas pausas calculadas aumentem a sua agilidade mental, permitindo uma dedicação máxima durante um Pomodoro.

O fluxo é bastante simples:

  1. Faça uma lista de tarefas que deverão ser cumpridas;
  2. Escolha uma tarefa;
  3. Defina um cronômetro de pelo menos 25 minutos;
  4. Trabalhe em sua tarefa até que o alarme do cronômetro toque;
  5. Em seguida, faça uma pausa de cinco minutos (você acabou de completar seu primeiro Pomodoro!);
  6. Então, repita os passos 1 a 4 mais três vezes, seguidos de uma pausa maior de pelo menos 15 minutos.

No entanto, fique atento(a) a duas restrições na hora de praticar seu Pomodoro:

  1. Não existe pausa durante um Pomodoro. Se você foi interrompido, zere o seu cronômetro e retome o trabalho.
  2. Caso termine uma tarefa enquanto o Pomodoro estiver em andamento, analise se não consegue refinar a qualidade da atividade. Caso não dê, pegue outra tarefa da lista.

Resumindo: escolha uma tarefa. Inicie um cronômetro para 25 minutos, trabalhe até tocar. Faça uma pausa de 5 minutos. Se você desviar a concentração para qualquer outra distração (pessoas são distrações), zere o cronômetro e comece de novo.

Minha estrada até aqui!

Conheci a técnica em 2014 no YouTube enquanto procurava como melhorar minha concentração e a trabalhar com tarefas pequenas. É óbvio que a primeira vez não funcionou para mim.

Na primeira vez subestimei o Pomodoro porque ele parecia bastante simples. No entanto, aprendi que as coisas não são bem assim. Passei por muita frustração. Inicialmente eu achava 25 minutos pouco tempo e 4 Pomodoro um ciclo pequeno, então experimentei 60 minutos de foco e 10 Pomodoro para a pausa mais longa.

Dá para perceber que eu não sabia fazer conta né? Logicamente esse fluxo falhou: deixei o Pomodoro de lado por alguns meses e passado um tempo resolvi dar mais uma chance.

Dessa vez apliquei 15 minutos no tempo do pomodoro e 6 Pomodoro para a pausa mais longa. Também não funcionou. Na verdade, no começo, até que: Estava a todo gás fazendo 12 a 16 Pomodoro no meu dia. Com o passar do tempo eu fui me sentindo cada vez mais cansado e abandonei novamente.

Tentei mais algumas variações e sempre me sentia incrivelmente produtivo no começo e cansado com o passar dos dias. Mas eu sabia que estava chegando em algum lugar.

Esse lugar foi o amadurecimento e conhecimento do meu próprio, com relação a concentração e produtividade. Aprendi a quebrar minhas atividades em sub-tarefas, aprendi que 5 minutos de descanso é mais do que suficiente para eu ir ver se o mundo já se explodiu em caos e voltar para minha tarefa.

Por fim, aprendi que não deveria seguir as regras do Pomodoro à risca. Perder alguns minutos do cronômetro tirando a dúvida de um amigo sobre outra atividade, não é motivo para pausar o cronômetro. Ir ao banheiro, fazer uma pausa antecipada ou ter um intervalo mais curto não é motivo de falha.

A falha só vem quando não alcanço o resultado da minha atividade e me distraio completamente sem conseguir voltar ao meu ritmo.

A verdade é que testei tantas variações de tempo que não consigo lembrar de todas, mas o que eu quero dizer aqui é que você precisa experimentar e encontrar o seu próprio ritmo. Quebre as regras, desde que você se sinta bem com isso.

Como funciona o meu Pomodoro

São 25 minutos de trabalho constante e focado em uma tarefa. Nenhuma multitarefa. Nenhum email, nenhum telefonema. Sem Facebook ou Twitter. Nada! Nenhuma distração, a não ser que seja pra falar sobre uma atividade do trabalho.

“Vinte e cinco minutos de trabalho? Isso não é nada! Isso vai ser fácil!”

  1. Todo dia de manhã separo pelo menos 5 tarefas pessoais antes de chegar no trabalho;
  2. Meu Pomodoro dura 25 minutos;
  3. Tenho 5 minutos de pausa entre os Pomodoro;
  4. A cada 5 Pomodoro faço uma pausa maior de 10 minutos;
  5. Minha meta diária é de 8 a 10 Pomodoro;
  6. E, por fim, celular sempre no modo silencioso e com a tela virada para baixo.

Quando começo uma tarefa, não troco por outra até que eu a finalize. A minha chave para alcançar uma boa concentração é minimizar a alternância de tarefas.

Por exemplo: antes de começar a codificar, sempre paro para analisar o que deve ser feito. Caso identifique que necessito parar para ler sobre alguma biblioteca, crio uma tarefa só pra isso, para depois codificar.

Não consigo ficar alternando entre leitura e código. Fazer isso drena toda minha concentração e vontade de finalizar o que comecei.

3 sugestões para você começar

Sugiro que você aprenda porque você não se acha produtivo. Ás vezes podemos estar definindo a barra muito alta ou é só uma questão de ajustar detalhes.

Eu costumo manter pequenas anotações mentais sobre o meu dia. Foi a partir daí que me analisei. Será que contigo é a localização? As pessoas ao seu redor? Seja lá o que for, procure identificar a origem das suas distrações.

Quando comecei a usar Pomodoro, eu me pegava fazendo pausas mais longas do que devia. Um vídeo do YouTube muitas vezes se tornavam quatro ou cinco vídeos.

Durante os intervalos de 5 minutos, não vejo vídeos. Em vez disso, eu ando por aí e converso com as pessoas que falaram comigo. Quando sinto que minha mente está cansando, aproveito os 5 minutos e deixo meu cérebro relaxar e não pego no celular.

Use as pausas de 5 e 10 minutos em sua vantagem. Já houve momentos em que cheguei na solução de um problema durante esses intervalos de 5 minutos.

O artigo publicado em 2006 pode te ajudar muito a entender a ideologia por trás do Pomodoro, sobre o tempo e como identificar distrações.

Não é difícil achar no Google, mas os links estão no final desse artigo pra facilitar.

Conclusão

Somente em um mundo perfeito, eu teria 5 tarefas de alto valor todos os dias e nenhuma delas seria chata o suficiente para me fazer querer pular fora no meu do caminho.

Nesse mundo perfeito, eu as priorizaria e eliminaria uma por uma, começando pela mais importante primeiro. Ficaria muito motivado com cada uma dessas atividades e não seria interrompido, até terminar o meu trabalho.

Parece ótimo, né? Infelizmente, isso não existe. Na verdade sou um ser humano, vivo em um mundo cheio de outros humanos, tenho emoções que não controlo, fico cansado, tenho dias bons e ruins.

Para fazer isso funcionar a longo prazo, tive que encarar as coisas como elas são e aprendi a aceitá-las. Trabalho com elas e não contra elas.

Você pode usar minhas sugestões ou não, mas sugiro que encontre o seu próprio jeito de fazer Pomodoro. Você se conhece mais do que ninguém. Ninguém pode dizer o que fazer e o que não fazer. Você pode ter ideias melhores do que eu.

Referências

The Pomodoro Technique (The Pomodoro)

The Pomodoro Technique (The Pomodoro) Versão traduzida

CollabCode

Aqui é o ponto de encontro entre quem quer aprender e quem pode ensinar, de forma colaborativa.

Thanks to William Oliveira

Mateus Malaquias

Written by

Baiano | Software Development Engineer | I’m a back-end developer who like to work and collaborate with teams and also have good interpersonal skills.

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