Educação ambiental é ensinamento, prática e exemplo

É a continuidade que tornará os valores ambientais mais sólidos e fará com que sejam incorporados.

É na geração mais jovem que se acredita estarem consolidados os valores relativos à conservação da água, ao cuidado com o solo e com o ar. Água é vida. A terra nos concede os alimentos. O ar também é fundamental para os seres vivos. Os poluentes atmosféricos reduzem a qualidade do ar e são responsáveis pela destruição de diversos ecossistemas. O Planeta Terra é finito, assim como os recursos naturais. Se não forem cuidados vão se extinguir. É por este motivo que cada habitante tem que se preocupar com a forma como se relaciona com estes recursos para que não venham faltar. Há abundância de água no Brasil. O país detém uma parte significativa das reservas mundiais de água doce. A visão de fartura estimula a cultura do desperdício. A impressão é que nunca vai faltar. Hoje vemos diversas regiões sofrendo com a falta de água. Situação que há alguns anos atrás parecia ser apenas resultado da diferente distribuição. As mudanças climáticas, consequência exclusiva da ação do homem, somadas ao descompromisso com a proteção das reservas naturais têm levado à desertificação de áreas, à destruição de nascentes, ao assoreamento dos rios, ao envenenamento do ar e à contaminação do solo. Os jovens e as crianças têm um olhar diferente sobre o Planeta, acreditam os mais velhos como eu. Porém, quando eles confessam com naturalidade e sem culpa que não separaram resíduos, que nunca aprenderam em casa, tampouco na escola — me vem uma imensa preocupação. Me preocupa grandemente porque além de depositarmos neles, a esperança de um mundo melhor, acredito que eles tem condições a uma melhor educação para o meio ambiente. Eles tem maior acesso a informação, pois a disponibilização é imediata, é instantânea. Neste cenário fica difícil entender o porquê destes jovens estarem alheios a esta problemática, desconhecerem a importância da separação de resíduos, sendo que é uma prática essencial para conservação de nosso maior capital natural, o ambiente. Me questiono sobre os motivos deste desconhecimento, desta alienação. Será que o problema está na família que não se preocupa em transmitir valores e práticas essenciais? Será que o problema está na escola que ensina, mas não forma? Será que está nos jovens que por falta de reconhecimento do que é essencial, preferem se envolver com coisas menos importantes, mais amenas? Será que o problema está na sociedade que desconsidera a sua responsabilidade com o futuro e só se da conta que poderia ter feito diferente quando as consequências são irreversíveis? A educação ambiental não se ensina apenas com uma disciplina formal ou com ações eventuais e pontuais. O ensinamento, a prática e o exemplo precisam ser constantes, permanentes e em todas as disciplinas. É a continuidade que tornará os valores ambientais mais sólidos e fará com que sejam incorporados com naturalidade. Precisamos imediatamente dar bons exemplos às nossas crianças.

Esse texto foi publicado originalmente no Diário de Santa Maria na coluna Opinião.