Santa Maria: desenvolvimento e sustentabilidade

Desenvolvimento sustentável vai além dos aspectos ambientais, econômicos e da produção de riqueza.

Quando pensamos em meio ambiente, uma das primeiras palavras que nos vem é sustentabilidade. É comum empresas se declararem, assim como qualificarem de sustentáveis, produtos e atitudes. Sustentabilidade é uma, senão a grande palavra da moda quando a questão é meio ambiente. Mas será que todos os que se declaram sustentáveis, verdadeiramente o são? A sustentabilidade não está relacionada apenas a redução de impactos ambientais ou sociais. O conceito traz consigo a visão de equilíbrio, harmonia, respeito a todos os seres indistintamente, ao ambiente em que vivem, à promoção do seu crescimento e da vida. O conceito então, é mais amplo do que se imagina. E desenvolvimento sustentável? Relaciona-se com ética, transparência, diversidade, respeito ao outro e ao meio ambiente. Desenvolvimento sustentável vai além dos aspectos ambientais, econômicos e da produção de riqueza. Desenvolvimento sustentável relaciona-se com a redução das diferenças e com responsabilidade coletiva (responsabilidade com o bem estar comum, com a felicidade mútua). Esta visão não é utopia ou de um mundo de sonhos. A ausência da visão coletiva é um dos grandes entraves para o alcance da sustentabilidade. Vivemos uma sociedade egocêntrica, extremamente tolerante consigo mesma e altamente intolerante com os erros alheios. Quem acha normal passar pelas ruas jogando lixo pela janela ou no chão? No entanto, não raras vezes, aquele que censura esta atitude é o mesmo que joga a bituca do cigarro na floreira de uma loja, no canteiro da praça. Aí pode!! Quem não se sente extremamente irritado quando vai tomar banho e não sai uma gota de água do chuveiro? No entanto, não se constrange ao lavar o carro com a mangueira jorrando água como se fosse o único proprietário. A água é um bem universal (é de todos). Esta visão egoísta e desrespeitosa, muitas vezes se estende também às empresas, seja no trato indiferente ao consumidor, na qualidade dos produtos que vende, nas ofertas enganosas, no desrespeito à diversidade, na ausência de cuidados com a segurança dos colaboradores e clientes. Tenho certeza que muitos de vocês já tiveram que desviar de caminhões e carrinhos de carga que manobram nas portas principais de lojas e supermercados da cidade como se o cliente fosse um ser etéreo ou invisível. Se não desviassem seriam atropelados correndo o risco de serem considerados desatentos. Os exemplos apesar de simples e cotidianos, demonstram que ser sustentável não significa apenas gerar empregos e/ou neutralizar os aspectos negativos ambientais de uma atividade. Ser sustentável é fazer o melhor, é surpreender positivamente, é respeitar, é valorizar. Estendendo esta análise para o contexto de Santa Maria e da região, deixo uma reflexão aos leitores: estamos preparados para a sustentabilidade, seja na oferta de produtos e serviços ou no planejamento do crescimento da cidade que queremos?

Esse texto foi publicado originalmente no Diário de Santa Maria na coluna Opinião.