Coritiba 1×2 São Paulo — Um time dividido em dois

O São Paulo de Doriva chegou a Curitiba após duas derrotas nos últimos três jogos — sem vencer em seu comando — e com uma crise externa explodindo a cada dia. Enfrentando um time na zona do rebaixamento e conhecendo o tricolor como conhecemos, era de se presumir que perderia. A moral estava muito baixa.

O técnico mudou duas peças em relação ao time de quarta-feira: Reinaldo ganhou a vaga do suspenso Matheus Reis e Kardec ganhou a vaga de Luis Fabiano, machucado. Com o móvel avante, era fácil imaginar que o São Paulo teria outra dinâmica na frente, assim como seria frágil atrás com Luiz Eduardo e Reinaldo do mesmo lado que Pato pouco auxilia sem bola.

E foi exatamente o que aconteceu: no ataque o time foi intenso e muito móvel, atrás deu espaços e sofreu. Pato buscou as diagonais, Kardec abriu espaço e Ganso serviu. Michel esteve mais tímido, com a dupla de volantes sustentando a armação. Porém sem a bola, o São Paulo sofreu com a velocidade pela direita.

Além da chegada de Ivan, Ruy encostava e pressionava o setor de Reinaldo. Lúcio Flávio centralizava atrás da dupla Henrique e Kleber e tentava armar, porém tinha pouco espaço por dentro. O Coxa também dava muito espaço pelos lados do campo.

Ganso serviu Kardec, que abriu o placar em uma das quatro finalizações que o São Paulo acertou. Porém, mesmo com 62% de posse e 241 a 104 em passes no primeiro tempo, o tricolor sofreu o empate: Cáceres num chutaço de fora.

Empate que fez o São Paulo subir as linhas na volta do intervalo. Time no campo de ataque, pressionando o Coritiba, mas sem levar perigo. A medida que a intensidade do jogo diminuiu, Ney Franco começou a mexer. Primeiro com Juan no lugar de Lúcio Flávio, mantendo o 4–3–1–2, com o ex-lateral centralizado.

Então Alexandre Pato acertou um lindo chute — em outra assistência de Ganso — e colocou o tricolor frente outra vez. Obrigando os visitantes a se lançarem ao ataque. Negueba ganhou o lugar de Carlinhos, empurrou Juan para a lateral e tentou armar duas linhas. Por pouco tempo, já que Henrique seria expulso e complicaria a vida coxa branca.

Doriva colocou Centurion e Rogério, mexendo nas pontas e devolvendo incisividade aos lados do campo. Cada um fez uma boa jogada, mas nada que mexesse no placar. O São Paulo fechou o jogo com 59% de posse de bola e 15 finalizações — sete certas. Além de 90% de aproveitamento dos 488 passes.

A primeira vitória do novo comandante veio com uma boa dinâmica ofensiva, tendo Kardec, uma peça que já se mostrou fundamental. Mas com muitos problemas defensivos, que não mostram uma equipe compacta como ele disse ter. Um time divido em dois, mas que segue na briga pelo G4… Ou G5.

Quarta-feira? é outra conversa.

Dados estatísticos: Footstats.

Texto: Raí Monteiro