Um épico luganesco

Este post é um conto fictício sobre um possível fim épico para a carreira de Lugano no São Paulo. Não significa que há qualquer evidência de acontecimento real de tudo aquilo que está escrito aqui, mas é uma forma de mostrar que o “Deus da raça” pode sim ser útil ao Tricolor.

2016 não vinha sendo dos melhores para o torcedor do São Paulo, tudo porque a equipe comandada por Edgardo Bauza deixava a desejar em momentos decisivos, faltando o algo a mais para lhe permitir sonhar alto. O reflexo maior desse panorama fora a eliminação na semifinal do Paulistão para o Santos e a a queda nas quartas da Libertadores para o Atlético-MG, porém o 6º lugar no Brasileirão e a “maldição da Copa do Brasil” não permitiam com que a torcida se empolgasse e estivesse esperançosa em erguer alguma taça ao fim do ano.

Dentro de campo, a maior parte das atuações eram boas, muito em função de um Paulo Henrique Ganso não tão brilhante quanto em 2010, mas regular, o bastante para permitir que o rendimento do time todo fosse diferenciado, algo denotado pela vasta quantidade de gols marcados por Alan Kardec e também por algumas boas aparições do menino Lucas Fernandes, recém-promovido ao profissional. Atrelado a isso, a defesa ainda tinha algumas falhas, pois Renan Ribeiro, que assumiu a vaga de titular depois de uma sequência negativa de Denis, ainda pecava pela falta de experiência, só que a dupla de zaga formada por Lugano e Rodrigo Caio mostrava uma eficiência rara de se ver entre os zagueiros tricolores nos últimos anos.

Aliás, Lugano merece um adendo especial. Contratado como o principal reforço de 2016, o uruguaio foi muito contestado por parte da imprensa que duvidou da capacidade técnica do jogador pelo mesmo já se encontrar velho. É claro que, longe de ser o mesmo de 2005, o beque colecionou algumas falhas de posicionamento muito em função da lentidão decorrente de 35 anos, só que tudo passou longe de comprometer sua vaga de titular e condição de ídolo com a torcida.

Muito além das satisfatórias atuações dentro de campo, Diego Lugano, que assumiu a faixa de capitão, chamou a atenção pelo convívio diário com os jovens zagueiros do São Paulo durante o dia a dia do clube e, muito próximo, principalmente, de Lucão, o zagueiro campeão mundial em 2005 contribuía para o desenvolvimento de cada um deles, mas sempre destacando que o seu novo melhor amigo “Lucón” era seu principal discípulo e candidato a ser seu sucessor cedo ou tarde.

Até que chegou o mês de setembro e um clássico contra o Palmeiras no Allianz Parque. Sem nunca ter vencido o rival na sua moderna arena, o Tricolor entrou sedento a quebrar esse tabu e subir na classificação do Brasileiro, porém Lugano estava em uma noite irreconhecível ao marcar um gol de contra de cabeça e ceder outro gol ao adversário em erro na saída de bola, o que acabou acarretando em uma derrota, de virada, por 2 a 1. Era o pretexto que a imprensa precisava para cair matando sobre o uruguaio.

Após o fatídico duelo contra os palmeirenses, duas atuações desastrosas de Lugano logo na sequência em partidas contra Atlético-PR e Santa Cruz, ambas no Morumbi, mostraram ao beque que ele, talvez, tinha alcançado seu limite e era hora de ter a humildade de reconhecer. Convocou entrevista coletiva extraordinária após o jogo e, por impulso, anunciou nela uma decisão que viria a escrever de vez seu nome na história de São Paulo:

“Estoy abdicando de mi lugar como titular en San Paulo. La idad pesou, no aguento más e no quiero atrapalhar mi compañeros. En vestiário, conversei com Egardo e él disse para yo pensar, pero estoy certo desta decisión. Voy para o banco, ayudaré en campo una semana ou outra, mas todos dias ayudaré San Paulo como auxiliar do profe. Sei que soy un jugador caro e, como ficaré en banco, metade de mi salario irá como doación para investimentos em la base del San Paulo”.

Apear da péssima atuação antes da entrevista, a imprensa não tinha o que criticar do beque. Além do mais, a notícia caiu como uma bomba em todo elenco que ficou surpresa com tamanha humildade e disposição do atleta para ajudar o clube, o que deu uma motivação diferenciada para o restante do ano, ainda mais para Lucão que, ao assumir a vaga de seu amigo e ídolo, mostrou um desenvolvimento absurdo de seu jogo, um senso de liderança incrível e uma raça fora do normal, consolidando-se como um dos grandes pilares da equipe no fim do ano.

E o que aconteceu com o São Paulo ao fim da temporada? Bem, no Brasileirão, as coisas não deram muito e um mero 7º lugar foi conquistado, mas, sob a motivação ímpar do novo auxiliar Lugano e a orientação tática de Bauza, o fantasma da Copa do Brasil foi exorcizado com uma vitória sobre o Flamengo de Muricy Ramalho na decisão e o título foi comemorado com Lugano erguendo a taça, depois que Lucão, ao ver que a vitória por 2 a 0 no Morumbi, a qual dava o título ao São Paulo depois de um 0 a 0 no Maracanã, já estava garantida, pediu para ser substituído e o uruguaio entrar em seu lugar para assumir a faixa de capitão.

A bela cena da final foi o sinal de que tempos novos estavam por vir. A expectativa para 2017 é alta. Nossa capacidade de prever o futuro vai somente até o fim de 2016, todavia a imprensa, que não colocou fé alguma em Lugano e cia no início do ano, já começa a depositar uma confiança diferenciada no clube para o ano que está por vir, ainda mais porque, a pedido de Edgardo Bauza, o uruguaio, que decidiu por encerrar a carreira como jogador, foi efetivado como auxiliar técnico.

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