3ª Guerra Mundial?

Olha, confesso que me assustei quando vi que a Rússia começou a bombardear a Síria na intenção de degradar o Estado Islâmico. Principalmente quando vi que, junto dos russos, soldados iranianos estão entrando na guerra síria. Confesso que me assustei mais ainda quando li que a China está enviando reforços militares para a região no intuito de formar uma coalizão Rússia/Irã/China.

Não trata-se mais de uma guerra civil ou regional. Já é uma guerra mundial. Inicialmente, todos contra o Estado Islâmico — que de islâmico, não tem nada.

Senti receio — ou medo mesmo — ao ler notícias de que a Rússia ainda não está atacando o ISIS e, sim, grupos rebeldes que são contra a permanência do ditador Bashar al-Assad no poder. A Rússia está bombardeando grupos treinados pelos EUA. Olha a merda: na semana passada saiu a notícia de que a Rússia bombardeou a base de um grupo treinado pela CIA.

A Rússia não é trouxa. Quer seu protagonismo de volta. É provocativa e está pronta pra se expandir; vide os territórios que está buscando anexar na Ucrânia. O argumento é que estão tentando combater neonazistas — o que não deixa de ser verdade -, mas por trás, há uma forte ideia de expansionismo russo.

Os EUA, vendo o escalonamento da tensão, já posicionaram mísseis na Polônia, que faz divisa com a Ucrânia. Aliás, muitos dizem que a decisão russa de apoiar o ditador sírio, partiu em resposta à instalação desses mísseis por parte dos EUA.

Percebem o tamanho do conflito que está se desenhando?

O Estado Islâmico, grupo extremista altamente organizado e muito bem financiado — que foi praticamente criado pelos EUA — se expande cada vez mais pelo Oriente Médio e está servindo como imã para a catástrofe: a possibilidade de uma 3ª guerra mundial.

E era exatamente esse o objetivo dos extremistas. Levar a guerra aos 4 cantos do planeta.

Um leve erro de cálculo nos ataques à Síria pode fazer russos e norte-americanos se desentenderem num nível sem volta, levando o conflito para outros territórios. Quiçá, os próprios. Ali na região, Irã e Arábia Saudita estão em guerra pelo Iêmen. Logo ao lado, Afeganistão e Paquistão estão em frangalhos. Paquistão esse que está em constante conflito com a Índia pela região da Caxemira. Israel e Palestina não parecem que vão sanar suas diferenças tão cedo. A China provavelmente está ansiosa para testar seu épico poderio militar em meio a esse caos.

A coisa tá ficando feia. Nossa conectividade global nos permite receber as notícias assim que elas acontecem. Mas não sabemos de tudo. Aliás, tratando-se de guerra entre potências: sabemos é quase nada.

Sabendo quase nada, podemos fazer muito pouco. O futuro do século XXI está nas mãos de Vladimir Putin, Barack Obama, Hassan Rohani, Xi Jinping, Bashar al-Assad, Benjamin Netanyahu, Mahmoud Abbas, Salman Al Saud, respectivamente líderes máximos da Rússia, EUA, Irã, China, Síria, Israel, Palestina e Arábia Saudita.

Dizem que muitas dessas guerras no Oriente Médio começam por divergências religiosas. Pode até ser, mas a real disputa é poder, território e glória. O que será que o Deus deles pensa nessa hora?