Hey, você

Hey, você que encoxa mulheres no transporte público levando-as ao absoluto constrangimento e sofrimento. Hey, você que assistiu ao Rock in Rio com carteirinha de estudante falsificada. Hey, você que deixa uma pessoa apaixonada correr atrás de você, querendo seu carinho e seu amor e você propositalmente não sai de cima do muro; gosta de ter ego inflado. Hey, você que desviou a verba da merenda, tirou o alimento e a renda do mais pobre. Hey, você, nobre cidadão de bem que agride verbalmente no trânsito, que é mal humorado com a faxineira, mas é paga pau do chefe e só falta desenrolar um tapete vermelho quando ele passa. Hey, você que na internet, deseja sentimentos ruins aos outros; parece que você está apenas tentando por pra fora algo de ruim da sua própria vida; um psicólogo pode fazer mais efeito que me desejar tanto o mal. Hey, você que enfiou uma faca no corpo de alguém ou mesmo atirou pra matar. Hey você que faz do seu altar o único lugar possível para a crença da humanidade acreditar. Hey, você que não espera sua companheira gozar. Hey, você que fez a cabeça do seu filho para ele odiar. Hey, você que fez alguém refém: seja com uma arma na cabeça ou com chantagem, manipulação e frieza. Hey, você que senta-se à mesa antes dos com mais fome. Hey, você cujo nome é VIP é o caráter é SHIT. Hey, você que se omite de impedir um linchamento. Hey, você que em nenhum momento deixa de querer levar vantagem doa a quem doer. Hey, você que sai pra beber e, ao final, pega o carro e testa quanto ele pode correr. Hey, você que quer impor seu estilo de vida ao invés de respeitar a diversidade. Hey, você que tem dificuldade com a honestidade; que rouba a autonomia e o poder de decisão do cidadão. Hey, você que deseja faca na caveira e acha besteira o direito de viver de um ser humano, acha utopia a alternativa, acha fragilidade um plano para recuperação que não seja o da brutalização. Hey, você que estende a mão apenas pra sua cor de preferência e não enxerga a indecência e a indignidade construída por verdades brancas ao longo da história. Hey, você, cujo momento sonhado de glória provoca mortes. Hey, você que tem sorte de nascer em berço de ouro e argumenta com meritocracia. Hey, você que desistiu, um dia, de sonhar.

Hey, você, o mundo seria um lugar melhor se você assumisse os erros. Insistisse em mudar. Tira esse ódio do peito. Volta a sonhar. Pratique o amar. Daí, talvez, esse tal amanhã venha a ser nossa melhor criação.

Hey, você, presta atenção; bota uma fé: a mudança tá na sola do nosso próprio pé. O passo é pra frente.