O mundo que o comércio criou

Neste post eu quero juntar meu conhecimento em psicologia evolucionista com minha posição política liberal. O argumento é simples: foi a livre troca de mercadorias, i.e. o comércio, que permitiu à nossa espécie prosperar e dominar todos os espaços habitáveis neste mundo.

No livro O otimista racional, de Matt Ridley, o argumento é este: quanto mais os humanos se especializaram na produção de bens e se tornaram consumidores de outros seres humanos, ou seja, quanto mais transacionavam, quanto mais comercializavam, as condições de vida foram se tornando melhores.

Pense na nossa vida na época das cavernas: os bandos, as tribos humanas eram todas formadas por caçadores e coletores. Ou seja, as tribos nada produziam, se quisessem se alimentar, se vestir, ou se abrigar, deveriam elas próprias buscar seu sustento: caçando animais e coletando frutas e tubérculos para alimentarem-se. Em algum momento na nossa história ancestral, e antes do surgimento da agricultura (o autor argumenta que em torno de 60 mil anos atrás) nossa espécie começou a se especializar na extração de alimento e outros bens necessários à sobrevivência: alguns grupos se especializaram em caça de carne, outros em pesca, e outros em produção de lanças. Alguns autores argumentam que, pelos achados arqueológicos, as pedras de olduvai eram produzidas em escala industrial, e tribos de várias partes do Quênia iam trocar sua produção (de peixes, peles, carne, frutas e tubérculos) pelas lanças produzidas naquele local.

Pedras de olduvai

Uma vez que o comércio e as trocas livres entre indivíduos começaram, não houve mais como voltar atrás. Os biológos chamam isso de efeito catraca (ratchet effect): como uma catraca (ou a corda de um relógio) uma vez conquistada certa característica não é possível voltar atrás, pois essa característica passará de uma geração a outra (como é o caso do comércio, da escrita, da navegação, do carro e das viagens espaciais). Aliás, talvez essa seja a única característica que nos separa dos outros animais: nós não precisamos aprender a construir um ônibus espacial do zero a cada geração. O conhecimento acumulado passa de geração em geração permitindo o progresso cumulativo das inovações humanas.

Ridley argumenta no seu livro que, em 1800, a expectativa de vida na Inglaterra era de 40 anos. A vida na Inglaterra não estava nem remotamente sujeita aos efeitos nocivos do Capitalismo, como insistem em proclamar alguns pensadores de esquerda: os males do mundo são efeito da ganância de empresários. A verdade é que o comércio criou as condições para que nossa espécie crescesse em números e em bem-estar. Por exemplo: em 1970 só 30% dos lares americanos (os imperialistas-ricos) tinham ar-condicionado. Hoje, no México (segundo a esquerda-pensante, um país explorado pelo imperialismo americano) 79% dos lares possuem ar-condicionado. Como ousa o capitalismo prover qualidade de vida aos indivíduos!

A conclusão do post é essa: sociedades totalmente igualitárias e auto-suficientes nunca existiram. As trocas entre seres humanos permitiu que cada um de nós se especializasse em uma forma de gerar riqueza. Uns, como eu, se dedicam a ensinar e criar conhecimento. Outros, como Thomas Edison, Steve Jobs e Mark Zuckerberg, geram produtos e serviços inovadores. Impedir o livre comércio, querer que o Estado limite e controle tudo é impedir o progresso da sociedade, multiplicando a pobreza.